Disciplina eletiva de informática promove o encontro entre jovens e idosos

A primeira disciplina eletiva voltada para o público da terceira idade entrou na grade do segundo semestre de 2016

Por Loane Carvalho

O avanço da tecnologia e a carência da prestação do serviço aos idosos interessados em aprender informática foram pontos norteadores para a idealização da disciplina eletiva de Informática e Tecnologias Móveis na Era da Sociedade Digital.

A Unidade Curricular (UC) oferecida aos discentes da graduação do Campus São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) nasceu da colaboração entre a diretora do respectivo Campus, Rosana Puccini, a coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI/Unifesp), Claudia Ajzen, e a chefe de Disciplina do Departamento de Informática em Saúde (DIS/Unifesp), Maria Elisabete Salvador Graziosi.

A crescente procura das pessoas que fazem parte da terceira idade, com mais de 60 anos, que não tiveram a oportunidade de crescer acompanhando o advento tecnológico e a importância de inserir estudantes de graduação em atividades voltadas à comunidade motivaram Claudia, psicóloga especialista em gerontologia e a diretora do CSP a buscar uma possível parceria para formalizar a ideia nos padrões institucionais.

“A professora Rosana trouxe a ideia de convidar a professora Elisabete, e ver no que ela poderia contribuir. Nós três conversamos, e ela [Elisabete] sugeriu a criação de uma disciplina eletiva. A ideia foi sendo moldada com a contribuição de cada uma. Eu levei a problemática e demonstrei o meu interesse em continuar as aulas de informática para os idosos, anteriormente ministradas pela Maria Jose Salomi, profissional de TI do Hospital São Paulo. Desta união, com um objetivo em comum, nasceu a disciplina. Este curso é uma oportunidade de conscientização de que esse público está aumentando e que devemos ter projetos constantes e direcionados aos idosos”, relata a coordenadora que há 15 anos atua na unidade UATI da Unifesp.

O curso foi planejado para atender no máximo 30 alunos da graduação e, conforme normas institucionais, foi dividido em nove encontros sempre às terças-feiras, das 8h às 12h. A primeira disciplina eletiva voltada para o público da terceira idade entrou na grade do segundo semestre de 2016 e foi direcionada aos discentes dos cursos de Ciências Biológicas – Modalidade Médica (2ª e 3ª série), Enfermagem (2ª e 3ª série), Fonoaudiologia (2ª e 3ª série), Medicina (2ª, 3ª e 4ª série) e Tecnologias em Saúde.

Num primeiro momento, os conteúdos são trabalhados através de aulas expositivas, ministradas por um graduando escolhido aleatoriamente, com o auxílio de um projetor multimídia, enquanto os demais voluntários dão assistência individual ou em dupla, quando houver mais alunos do que monitor, a cada um dos participantes. Após cada novo conteúdo apresentado, os idosos realizam exercícios de fixação, especialmente preparados para praticarem o conhecimento obtido, com o apoio e o auxílio do aluno designado para acompanhá-lo durante os encontros.

 

UATI 2

As aulas aconteceram no laboratório de informática da Escola Paulista de Enfermagem (EPE/Unifesp). Crédito: Claudia Ajzen

 

Atividade de ensino

Os discentes da graduação inscritos na disciplina tiveram o primeiro encontro com a supervisora Claudia com o intuito de receber orientações sobre a atividade de ensino para o público-alvo, que merece cuidados especiais, como o aumento do tempo para a realização de exercícios, necessidade de reforçar palavras e conceitos para melhor fixação, entre outros itens.

Os graduandos que se disponibilizaram às atividades nessa disciplina eletiva procuram usar uma linguagem mais compreensível durante as aulas que, juntamente com as atividades sugeridas, foram especialmente desenvolvidas para atender a essa faixa etária da população que, segundo Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento, divulgado em 2015 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a porcentagem atual de 12,5% no País deve alcançar os 30% até a metade do século. A quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, e quase triplicará no Brasil.

Como a proposta do curso é também proporcionar o bem-estar dos alunos, com relação ao uso do computador, “todos os dias de aula fazemos um alongamento de no máximo dois minutos para darmos início às atividades”, complementa Claudia.

Próximos passos

A disciplina totaliza 36 horas para o graduando e nove para o aluno participante. De acordo com o levantamento apresentado por Claudia, o curso é oferecido para 26 pessoas e apenas dois são homens. “Atualmente temos 24 nomes na lista de espera para informática e a aluna mais experiente desta lista está com 85 anos”, informa a psicóloga.  

Em conversa com os universitários, uma das alunas questionou a psicóloga se existia a possibilidade de ser voluntária para conseguir horas complementares. Após a resposta favorável dos órgãos responsáveis, Claudia compartilhou a descoberta. “A Elisabete gostou da ideia e disse: ‘O que você acha de fazer um projeto de extensão?’. Eu achei sensacional a sugestão de disponibilizar a proposta como projeto de extensão”, relata.

Elisabete acredita “que o projeto de extensão e a continuidade dessa disciplina em 2017 seriam ideais para aproximar os alunos e a população de idosos, exercendo o ‘cuidar’ em diferentes situações”. E ressalta que “com esse propósito poderão compreender as expectativas, não só de inclusão digital dos idosos, despertando um olhar responsável e humano para outras necessidades”.

“Em 2017, pretendemos incrementar as aulas com treinamento para tecnologias móveis e, sobretudo, a busca de informação segura sobre saúde e doença na Internet, com dicas e exemplos, incluindo o acervo digital da Unifesp”, informa Elisabete.

 

 

 

 

Pró-Reitorias

Unidades universitárias

Campi

Links de interesse