Quarta, 05 Mai 2021 10:27

Covid-19: estudo da Unifesp revela propagação rápida e de alto impacto da variante P.1

Em parceria com a Fiocruz, resultados da pesquisa enfatizam que a variante P.1 se espalhou amplamente por todo o país

Por Matheus Campos

Em recente estudo publicado pela revista Journal Of Infection, pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) investigaram, durante duas semanas seguidas de março de 2021, a disseminação das variantes da covid-19 em profissionais de saúde e em pacientes hospitalizados atendidos no Hospital São Paulo, hospital universitário (HSP/HU Unifesp). Os resultados indicam que a variante P.1, que emergiu em Manaus, predominou em São Paulo rapidamente em 12 semanas após o primeiro caso, na maior cidade da América do Sul.

As duas principais variantes analisadas, P.1 e P.2, evoluíram da linhagem B.1.1.28 e assumiram o controle desde o final de 2020 no país. A variante P.1 foi detectada pela primeira vez em janeiro de 2021 em viajantes japoneses retornando de Manaus – e foi responsável pela segunda onda no Amazonas no final de novembro de 2020. Em outubro do mesmo ano, a variante P.2 foi relatada no Rio de Janeiro e estima-se que tenha surgido no final de agosto. Ambas as variantes também foram associadas a casos de reinfecção.

O estudo

Entre 1 a 15 de março de 2021, 60 amostras positivas para Sars-CoV-2 de pacientes e profissionais de saúde foram enviadas para sequenciamento do genoma completo (feito pela Fiocruz). Dessas amostras, o grupo sequenciou 54, das quais 44 (84,4%) foram identificadas como P.1; cinco (9,2%) como P.2; uma (1,9%) como B.1.1.7, e duas (3,8%) B.1.1.28. As variantes mais notáveis ​​que circulam na segunda onda, incluindo a B.1.1.7 (detectada primeiro no Reino Unido), a B.1.1.351 (detectada primeiro na África do Sul), e a P.1, estão relacionadas a um aumento na transmissibilidade.

"Curiosamente, a variante P.1 foi identificada pela primeira vez em Manaus, no estado do Amazonas, a cerca de 3.800 km de distância de São Paulo. É evidente que a variante P.1 prevaleceu durante as duas primeiras semanas de março, mostrando uma distribuição regular entre os infectados, sem diferença em relação à idade, sexo e vacinação", escreveram os cientistas em artigo publicado, que tem a pesquisadora Gabriela Barbosa, do Laboratório de Virologia da Unifesp, como primeira autora.

Na análise, da primeira para a segunda semana de março, foi observado maior frequência da variante P.1 (78,6% e 91,7%, respectivamente).

“Nossos resultados enfatizam que a variante P.1 se espalhou amplamente por todo o país. Apesar de todas as ações de intervenções como uso de máscaras, distanciamento físico, redução de viagens aéreas e o bloqueio atualmente estabelecido em São Paulo, as taxas de frequência de P.1 aumentaram significativamente em duas semanas, evidenciando sua rápida disseminação”, concluíram os pesquisadores.

Lido 737 vezes Última modificação em Sexta, 25 Junho 2021 11:27

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