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Quarta, 25 Maio 2016 16:11

Nova esperança para o diagnóstico

Pesquisa abre perspectivas para a identificação de metástases em linfonodos de pacientes acometidos por carcinomas de cabeça e pescoço

Valquíria Carnaúba

Ilustração de uma cabeça de perfil, com sinal vermelho na área do pescoço

Em 2015, Ana Carolina de Carvalho, doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Molecular da Unifesp, venceu a primeira edição do Prêmio de Inovação do Grupo Fleury (PIF), na categoria Jovem Pesquisador, graças à sua tese intitulada Avaliação do Perfil de Expressão de MicroRNAs (miRNAs) como Marcador de Diagnóstico de Metástases Cervicais em Pacientes com Carcinoma Epidermóide de Cabeça e Pescoço. O trabalho traz novas perspectivas ao diagnóstico de metástases em linfonodos de pacientes acometidos por carcinomas epidermoides de cabeça e pescoço (CECP). 

Orientada por André Luiz Vettore, professor adjunto do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp – Campus Diadema, a pesquisadora avaliou o comportamento de 667 microRNAs (miRNAs) colocados em contato com amostras de gânglios linfáticos de pacientes com CECP. Dentre as conclusões, destaca-se a identificação de duas dessas moléculas como potenciais marcadoras da presença de células tumorais devido ao seu alto nível de expressão em linfonodos malignos.

O doutorado revela conceitos inéditos no meio científico, a exemplo do miRNA. Composto por cerca de 20 a 22 nucleotídeos, compõe uma nova classe de reguladores da expressão gênica em plantas e animais cuja existência, até meados de 2001, era desconhecida. “Antes acreditávamos que a célula regulava apenas a produção do RNA mensageiro (RNAm) e que uma vez sintetizado ele iria ao citoplasma atuar na síntese de proteínas. Agora sabemos que os miRNAs também são importantes reguladores nesse processo, podendo aderir ao RNAm e impedir a produção de proteínas”, afirma Vettore.

A literatura médica inclusive aponta que o miRNA influencia diversos processos relacionados ao câncer, como apoptose (morte celular programada), proliferação celular, controle do ciclo celular, migração e metabolismo. E, segundo Vettore, variações nos níveis de determinados miRNAs podem ser associadas ao fenótipo tumoral.

Atualmente, mais de 1.400 dessas moléculas foram decifradas no ser humano, porém a análise conduzida no âmbito da Unifesp, iniciada há cinco anos, considerou o comportamento de apenas 667, em amostras de gânglios linfáticos de pacientes com CECP. 

Os carcinomas, de modo geral, são distinguidos de acordo com sua extensão (TI, TII, TIII e TIV) e com a presença de metástases (células tumorais primárias) em linfonodos regionais. Quanto mais avançado o tumor, maiores as chances de enviar metástases por meio do sistema linfático. O estudo avaliou a variação e o comportamento dos miRNAs em amostras de linfonodos metastáticos e não metastáticos.

Metodologia de seleção

Ana Carolina analisou o caso de 48 pacientes (cujo perfil consta no gráfico da próxima página) acometidos por carcinomas epidermoides na parte inferior da cavidade oral (assoalho bucal, gengiva inferior, língua, região retromolar inferior e vestíbulo), classificados clinicamente nos estágios TI, TII e TIII e tratados cirurgicamente no Hospital do Câncer de Barretos entre os anos de 2000 e 2012. 

Amostras de gânglios linfáticos emblocados em parafina dos 25 casos metastáticos foram submetidas a cortes histológicos e dissecadas manualmente. O RNA foi extraído apenas da região contendo o depósito metastático; dos 23 casos não metastáticos, o RNA total foi extraído de cortes obtidos dos diferentes níveis dos linfonodos. 

A comparação da expressão global dos 667 microRNAs nas amostras metastáticas e não metastáticas foi feita por meio da Reação em Cadeia da Polimerase (RT-PCR, do inglês Reverse Transcription Polymerase Chain Reaction), método que combina amplificação (criação de múltiplas cópias) de ácidos nucleicos com um mecanismo de quantificação baseado em emissão de fluorescência, permitindo simultâneos aumento, detecção e quantificação desses ácidos nucleicos.

O comportamento desses miRNAs foi averiguado em quatro amostras de linfonodos metastáticos e duas amostras de linfonodos não metastáticos de pacientes com tumores de língua. Essa observação revelou que 439 microRNAs apareciam em pelo menos uma das amostras avaliadas.

Duas fotos. Na primeira delas, um homem com jaleco branco trabalha em um laboratório. Na segunda foto, é mostrada uma caixa com as amostras.

A extração dos miRNAs é feita a partir de amostras de linfonodos cervicais emblocados em parafina

Para selecionar os candidatos mais relevantes que pudessem diferenciar os dois grupos, os pesquisadores utilizaram o critério de False Discovery Rate (FDR), que evidencia a proporção esperada de hipóteses nulas rejeitadas erroneamente. Com isso, restaram 220 miRNAs diferencialmente manifestos entre os dois grupos. Os 25 que apresentavam níveis maiores de expressão foram submetidos à clusterização hierárquica não supervisionada, ou seja, exame de semelhanças e confronto entre dados sem critérios preestabelecidos. 

Nessa classificação prévia, a expressão de oito microRNAs foi maior ou igual a 100 vezes nas amostras metastáticas, a saber: hsa-miR-139-3p, hsa-miR-200a, hsa-miR-200c, hsa-miR-203, hsa-miR-205, hsa-miR-382, hsamiR-628-5p e hsa-miR-758.

Vale ressaltar que o nome de cada miRNA é composto pela junção de determinadas informações. Tomando como exemplo o hsa-miR-200c, a sigla HSA se refere à Albumina Sérica Humana (Human Serum Albumin), proteína mais abundante no soro sanguíneo; o 200 indica que foi a ducentésima família descoberta; e o c informa que esse miRNA está relacionado a outro miRNA, provavelmente o denominado hsa-miR-200a.

Grafico - Características demográficas dos pacientes incluídos neste estudo. Idade 25% < 50 anos, 75%> 50 anos. Sexo 79,2% Masculino, 20,8% Feminino. Tabagismo 25% não, 66,7% sim, 8,3% dados não disponíveis. Etilismo 39,6% não, 52,1% sim, 8,3% dados não disponíveis.

Resultados

Após a primeira fase exploratória, o comportamento dos oito miRNAs citados foi testado em um grupo independente de 14 amostras de linfonodos com macrometástases, 5 amostras de linfonodos com micrometástases e 15 amostras de linfonodos não metastáticos. 

Nenhuma alteração em amostras não metastáticas foi detectada, mas as proteínas hsa-miR-200a, hsa-miR-200c, hsa-miR-203, hsa-miR-205 e hsa-miR-382 apresentaram uma resposta diferencial significativa entre os três grupos – por isso, foram considerados 100% específicos.

Os miRNAs hsa-miR-200a, hsa-miR-200c, hsa-miR-203 e hsa-miR-205, finalmente, que melhor distinguiam os linfonodos metastáticos dos não metastáticos, foram novamente testados, dessa vez em todas as amostras incluídas nesse estudo (25 linfonodos metastáticos e 23 não metastáticos), considerando sensibilidade, especificidade, acurácia, valor preditivo positivo e negativo e área sob a curva ROC (Receiver Operator Characteristic, ferramenta que descreve a quantidade total de metabólitos presentes no organismo).

Dois deles, hsa-miR-203 e hsa-miR-205, tiveram os melhores desempenhos em todos os indicadores. Assim sendo, são promissores marcadores moleculares para o diagnóstico de metástases nos linfonodos de pacientes acometidos pelo CECP.

Relevância e aplicações práticas

O câncer de cabeça e pescoço é uma doença com alta incidência e mortalidade. Ele aparece comumente na cavidade oral (lábios, palato duro, língua, gengiva e assoalho), na faringe e na laringe. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou para o ano de 2012 cerca de 14.000 novos casos de tumores de cavidade oral, a quinta neoplasia mais frequente em homens - com 9.900 casos. Desses tumores, mais de 90% são do tipo CECP.

Os dados alarmantes refletem o grande desafio da Medicina no que diz respeito ao diagnóstico e ao tratamento da doença. “O câncer de cabeça e pescoço pode ser confundido com uma afta que não sara. Mesmo quando identificado e tratado, reaparece com frequência. As chances de sucesso da terapia, que consiste na retirada cirúrgica da lesão e tratamento com rádio e quimioterapia, giram em torno de 50%, principalmente por causa da reincidência apresentada pelos tumores”, pontua o professor.

Fotografia da premiação. São três homens em um palco, o professor está no centro segurando o prêmio

O trabalho orientado pelo professor da Unifesp André Luiz Vettore foi classificado no Prêmio de Inovação do Grupo Fleury na categoria Jovem Pesquisador

Já para os estágios iniciais, conforme Vettore, não há rotina preestabelecida. “Algumas instituições ao redor do mundo adotam o protocolo ‘esperar para ver’: tratar o tumor sem abordar o pescoço, porém, as estatísticas mostraram que de 30 a 60% desses pacientes desenvolveram a doença no pescoço e precisaram ser tratados no futuro. Outras instituições adotam a prática de retirar os linfonodos, mesmo em casos de tumores iniciais, mas, de 50% a 80% dos casos operados não apresentaram a doença no local, ou seja, não precisariam ser tratados. Não há um consenso, a decisão é muito difícil”.

Por isso, o futuro reserva grandes utilidades para esses miRNAs. “Existe um exame que se faz nos gânglios linfáticos para saber se há neles células tumorais, por meio de Punção Aspirativa Por Agulha Fina (PAAF), cujo diagnóstico é feito por um citopatologista. Com o novo método, a detecção seria mais simples e poderia ser feita em um pequeno tubo de análise. Uma segunda utilidade para esse teste seria que, às vezes, na sala de cirurgia, para tomar a decisão de esvaziar ou não o pescoço, um patologista examina os linfonodos e verifica se há células tumorais. Estamos propondo que, em um futuro próximo, o teste seja executado durante o ato cirúrgico, auxiliando a equipe médica na tomada de decisão. A terceira utilidade poderia ser a ajuda na classificação dos linfonodos como metastáticos ou não, contribuindo para uma melhor definição da forma de tratamento a ser empregada”, afirma o professor da Unifesp.

Genética Molecular: Mais de 140 Anos de Descobertas

DNA • Apesar de o ácido desoxirribonucleico ter sido descoberto em 1869 por Johann Miescher, foram os cientistas James Watson e Francis Crick que ganharam o Prêmio Nobel por desvendarem, em 1953, a estrutura da molécula de DNA. Comumente designada como um longo polímero de unidades simples (monômeros) de nucleotídeos, sua cadeia principal é formada por moléculas intercaladas de fosfato e de açúcares; a estas últimas sempre se liga uma base nitrogenada, que pode ser adenina, guanina, timina ou citosina. A descoberta, que prometia revolucionar a Medicina e a Biologia, tomou tamanha proporção que culminou na criação do Projeto Genoma Humano (1990), cujo sequenciamento foi concluído em 2003 com 99,99% de precisão.

RNA • Miescher encontrou o ácido ribonucleico (RNA) em núcleos celulares na mesma época da descoberta do DNA. No entanto, o papel do RNA na síntese de proteínas só foi definido em 1939. Após 1951, foram identificados os tipos de RNA úteis a esse processo: o RNA mensageiro (mRNA), o RNA de transferência (tRNA) e o RNA ribossomal (rRNA).

RNA de Interferência • Células saudáveis possuem DNA de fita dupla e RNA de fita simples. A aparição de um RNA de fita dupla (fdRNA) geralmente indica a presença do genoma de um vírus de RNA. A interferência por RNA (RNAi) foi descoberta em 1986 pelo geneticista molecular Richard Jorgensen e descrita na década de 1990 pelos pesquisadores Andrew Fire e Craig Mello como um mecanismo de proteção da célula contra esse tipo de vírus de RNA. Quando um fdRNA se forma, é identificado pela enzima Dicer, que o corta em fragmentos menores com até 23 pares de bases. A fita de RNA que permanece intacta, chamada de RNA de interferência, busca fitas de mRNA correspondentes às sequência de fdRNA original. Quando mRNA desse tipo é detectado, ocorre o pareamento com o RNAi, sendo então clivado e degradado. Como o mRNA não pode ser traduzido, o gene tem sua expressão reduzida.

* Com a colaboração de Neusa Pereira Silva, Professora Associada da Disciplina de Reumatologia do Departamento de Medicina da Unifesp, atualmente aposentada

Artigos relacionados:

SONAGLIO, Viviane; CARVALHO, Ana C.; TOLEDO, Silvia R. C.; SOUZA, Carolina S.; CARVALHO, André L.; PETRILLI, Antonio S.; CAMARGO, Beatriz; VETTORE, André L. Aberrant DNA methylation of ESR1 and P14ARF genes could be useful as prognostic indicators in osteosarcoma. OncoTargets and Therapy, v.6, p. 713 – 723, 17 jun. 2013. Disponível em:< http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23836983 >. Acesso em: 28 jan. 2016.

LONGO, Ana L. B.; RETTORI, Marianna M.; CARVALHO, Ana C.; KOWALSKI, Luiz P.; CARVALHO, André L.; VETTORE, André L. Evaluation of the methylation profile of exfoliated cell samples from patients with head and neck squamous cell carcinoma. Head and Neck, v. 36, n. 5, p. 631-637, maio 2014. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23595968 >. Acesso em: 28 jan. 2016.

CARVALHO, Thais G.; CARVALHO, Ana C.; MAIA, Danielle C. C.; OGAWA, Juliana K.; CARVALHO, André L.; VETTORE, André L. Search for mutations in signaling pathways in head and neck squamous cell carcinoma. Oncology Reports, v. 30, n. 1, p. 334-340, jul. 2013. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23670291 >. Acesso em: 28 jan. 2016.

RETTORI, Marianna M.; CARVALHO, Ana C.; LONGO, Ana L. B.; OLIVEIRA, Cleyton Z.; KOWALSKY, Luiz P.; CARVLHO, André L.; VETTORE, André L. Prognostic significance of TIMP3 hypermethylation in post-treatment salivary rinse from head and neck squamous cell carcinoma patients. Carcinogenesis, v. 34, n. 1, p. 20-27, jan. 2013. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23042095 >. Acesso em: 28 jan. 2016.

Publicado em Edição 06
Quarta, 25 Maio 2016 15:02

Na ciência, é preciso ser anarquista

Denunciado como subversivo durante a ditadura militar, o hematologista Michel Rabinovitch estuda há 70 anos, entre outros temas, células cancerígenas e, atualmente, foca sua atenção em moléculas com efeito antitumoral. Sempre bem-humorado, afirma: “se você não brincar, não descobre ciência”

Ana Cristina Cocolo

Fotografia de Michel Rabinovich, ele olha para a câmera, tem cabelos brancos e usa uma camisa xadrez

Infância feliz

Michel Rabinovitch não se arrepende de não ter seguido a profissão do pai russo, Betzabel Rabinovitch, engenheiro civil, do qual fala com orgulho sobre a vinda da Suíça, onde se formou, para o Brasil em 1923, e dos prédios que ainda existem no sul do país e em São Paulo construídos pela empresa de engenharia Monteiro, Heinsfurter e Rabinovitch, da qual o pai era sócio. “Um dos prédios mais antigos da Santa Casa de Misericórdia foi construído por eles”, conta.

Foi em São Paulo, que Betzabel conheceu a ucraniana Anita Zlatopolsky. Da união, nasceram três filhos: Kelly Cecília (falecida em 2015) e os gêmeos Michel e Gregório Benjamin.

Rabinovitch lembra das brincadeiras na casa onde morava e do suntuoso palacete dos tios Jacob e Eugenia Zlatopolsky (irmã da sua mãe), ambos localizados na rua Piauí, em Higienópolis; das aulas no Colégio Rio Branco e das viagens ao litoral do Guarujá, pela Estrada Velha de Santos.

Os tios maternos também eram donos de uma tipografia, no bairro do Brás, e de uma papelaria na Rua São Bento, junto da Praça do Patriarca, no centro da cidade. No entanto, a morte de Jacob e o encolhimento econômico do país, em 1932, obrigou a tia a mudar-se para um bairro mais humilde, no centro da cidade, onde montou um ateliê de costura.

Com a morte do pai, em 1940, e da mãe, em 1941, Rabinovich e os irmãos foram morar com Eugenia Zlatopolsky, da qual ele fala com admiração. “Ela foi maravilhosa conosco. Mulher forte, inteligente e culta. Morreu com mais de 90 anos. Lia e falava seis idiomas, sem nunca ter pisado em uma universidade”.

Cinco fotos da infância de Michel

As várias fases da infância do pesquisador em São Paulo

A escolha pela área de Hematologia não surgiu por acaso na vida do médico e pesquisador Michel Pinkus Rabinovitch, 90 anos. Aos 15 anos, quando estava se preparando para ingressar na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), no curso de Engenharia Civil, profissão do falecido pai Betzabel, mudou radicalmente a área escolhida ao perder a mãe Anita, então com 46 anos, para uma leucemia aguda. Entre o diagnóstico e sua morte foram apenas três semanas. Um ano antes, o pai, de 47 anos, havia morrido em decorrência de um tumor no rim.

Um dos seus primeiros artigos científicos, uma revisão da literatura, trata justamente dos aspectos citoquímicos da célula leucêmica. Depois, inúmeros outros vieram em sequência, como resultado de uma dedicação de mais de 70 anos à Ciência, iniciada em 1946 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Eu já sabia que queria ser pesquisador. Cabulava as aulas de clínica para trabalhar no laboratório e, ainda no quarto ano da graduação, publiquei meu primeiro trabalho”, conta ele, que se especializou na área de Ciências Biomédicas e teve como guru o eternizado amigo Michel Abujamra. “Nunca fiz um parto em toda a minha vida, pois sabia que não era a área clínica que eu queria seguir”. 

Antes de entrar em Medicina, Rabinovitch encarou o curso preparatório, chamado de pré-médico, que ocorria no quarto andar do prédio da FMUSP. Lá, tinha aulas de Matemática, Português, Biologia, Botânica, Latim, entre outras. Na época, também fazia algumas traduções do inglês para o jornal Crônicas Israelitas, órgão informativo da Congregação Israelita Paulista.

Logo no início do curso médico, conheceu o professor José Oria, um dos precursores da Hematologia Morfológica, médico interessado em música e literatura no Brasil, que lhe abriu as portas do Laboratório de Histologia e Embriologia da FMUSP. No quinto ano da graduação já dava aulas de laboratório para alunos do segundo.

Em 1949, o pesquisador concluiu o curso médico e dois anos depois o doutorado. No ano seguinte, casou-se com Íria Mariani, técnica de laboratório de Hematologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. A docência em Histologia e Embriologia aconteceu em 1953, mesmo ano em que se separou de Íria e partiu para os Estados Unidos como bolsista da Fundação Rockefeller por dois anos. Nesse período passou pelo Departamento de Anatomia da Universidade de Chicago, fez um curso no Marine Biological Laboratory (Woods Hole) e trabalhou junto com Walter Plaut – no Laboratório do respeitável professor, biólogo celular e humanista Daniel Mazia –, no Departamento de Zoologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Antes de voltar para o Brasil no começo de 1955, Rabinovitch visitou o Instituto Rockefeller, em Nova Iorque, e, lá, demonstrou que havia nucléolos nas células hepáticas, contrariando a opinião de Alfred Mirsky, importante membro do instituto. “Esse episódio me ajudou a ser aceito na instituição em 1964, quando tive que sair do país devido ao regime militar. Mirsky não havia me esquecido”, lembra.

Em 1959, foi nomeado professor adjunto de Histologia e Embriologia da FMUSP, onde permaneceu trabalhando por 15 anos, e ajudou a despertar ainda mais o gosto da pesquisa em estudantes que, anos mais tarde, tiveram seus nomes reconhecidos dentro e fora do país, como é o caso de Ricardo Renzo Brentani – um dos principais nomes no mundo em pesquisas sobre câncer –, Thomas Maack – importante pesquisador na área de rime peptídeos, com mais de 100 artigos publicados e cerca de 7 mil citações na literatura científica –, Sergio Ryuzo Dohi, Jacob Kipnis, Nelson Fausto, Azzo Widman, Bernardo Liberman, José Gonzales, Sergio Henrique Ferreira, José F. Terzian, Mauricio Rocha e Silva Filho e Waltraut Helene Lay. “Posso dizer que esses 12 pesquisadores foram meus filhos e tenho muito orgulho disso”. Nessa época, Rabinovitch também colaborou com Itamar Vugman, antes dele ir para a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP). 

Uma de suas descobertas ocorreu em 1961, dentro do Departamento de Zoologia da Universidade da Califórnia, Campus São Francisco, nos EUA. Lá, desvendou um simbionte responsável pela incorporação de precursores radioativos no DNA do citoplasma da Amoeba proteus; simbionte jocosamente conhecido no laboratório como “rabinossoma”, em referência ao seu apelido “Rabino” que os colegas utilizam na FMUSP.

Ameaçado pelo regime militar em 1964, Rabinovitch não chegou a ocupar a cadeira de professor de Biologia na Universidade de Brasília (UnB), para a qual se candidatou e foi nomeado no dia 1º de abril de 1964. Deixou o Brasil por 33 anos, passando pelos Estados Unidos e pela França, países que o acolheram e nos quais contribuiu com importantes pesquisas em várias instituições. Nelas, também, treinou vários brasileiros. “No mesmo dia em que fui convidado pela UnB, em 1º de abril, começou a ditadura. Foi uma coincidência incrível. Devo minha carreira internacional aos militares”, afirma ele, que atuava muito pouco politicamente. “Nunca fui comunista. Sou anarquista da subespécie pacifista. No entanto, tive alunos ativos, trotskistas, comunistas, e fui acusado de ser mentor desses estudantes pelo professor Geraldo de Campos Freire, que era o principal repressor dentro da FMUSP”. 

Ele conta que chegou a questionar Freire do que estava sendo acusado. “O professor me respondeu que minha consciência devia saber”.

Foto em preto e branco mostra Michel Rabinovitch ao lado dos pesquisadores, dois homens e uma mulher

Aos 30 anos, como professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), recebe pesquisadores poloneses (centro) no campus

Denunciado por Luiz Carlos Uchôa Junqueira, como perigoso, à agência federal de investigação estadunidense, FBI (Federal Bureau of Investigation) e à polícia brasileira, o médico conta que vários de seus colegas foram presos, como Thomas Maack e Luiz Hildebrando Pereira da Silva. “Fui levado de Ribeirão Preto para São Paulo no fusca do amigo Mauricio Rocha e Silva Filho, para refugiar-me na casa do meu primo José Mindlin por cerca de uma semana”, lembra. “Foi nesse período que recebi uma proposta de emprego, por parte do Walter Plaut, em Madison, capital do Estado de Wisconsin. Mas, optei pela Universidade de Rockefeller, onde dois pesquisadores, James Gerald Hirsch e Zanvil A. Cohn (ambos falecidos), desenvolviam uma importante linha de estudo de pinocitose e lisossomas”. Os lisossomas são organelas celulares responsáveis pela digestão de partículas externas e pela renovação de estruturas celulares. 

Lá, Rabinovitch trabalhou com Hirsch e Cohn. A recepção fraterna do professor pelos pesquisadores e a parceria de cinco anos selou uma amizade que continuou por décadas. Rolin D. Hotchkiss (falecido em 2004) é outro grande amigo que o pesquisador fez em Rockefeller.

Em 1968, Rabinovitch casou-se com a suíça Odile Levrat, então técnica de laboratório da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, onde o pesquisador trabalhou até 1969, como associado de pesquisa no Laboratório de Fisiologia Celular e Imunologia. Assumiu, ainda em 1969, o cargo de professor associado de Biologia Celular da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque, passando a titular quatro anos depois. Lá teve a oportunidade de reencontrar Victor e Ruth Nussenzweig e seus filhos, companheiros e amigos para sempre. 

Fotografia em preto e branco de Michel com suas filhas pequenas

Com as filhas, Miriam e Caroline (amparada com as mãos), durante sua estada nos EUA, há 43 anos

Da relação com Odile, que durou oito anos, teve duas filhas estadunidenses: Miriam, que se mudou para Paris e mais tarde casou-se com o francês Serge Hascoet, e Caroline, que continuou no Brooklyn (Nova Iorque), ambas formadas em Literatura. Miriam, que faleceu no ano retrasado, aos 46 anos, tem uma filha, Eleanor, da qual o avô fala com muito orgulho, apesar de vê-la pouco, devido à distância. Caroline, 46 anos, é uma escritora reconhecida no seu país de origem. 

Desgostoso com os acontecimentos no Brasil e com família formada no exterior, Rabinovitch não voltou, em 1979, quando foi promulgada a lei da anistia, pelo presidente João Batista Figueiredo. “O assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, me deixou tão revoltado que não tive dúvida. Entreguei meu passaporte no consulado brasileiro, em Nova Iorque, e fiquei dois anos sem nacionalidade, não podendo sair dos EUA, até conseguir me tornar um cidadão americano”, conta ele, que chegou a ser questionado pelo FBI se tinha escrito algum artigo no jornal O Bisturi, publicação do Centro Acadêmico da FMUSP. “Quando voltei ao Brasil, em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso me devolveu a cidadania brasileira e o reitor da USP, José Goldemberg, me aposentou. Hoje, tenho orgulho de ser professor emérito de lá”. 

Em 1980, o pesquisador passou pela Unidade de Parasitologia Experimental do Instituto Pasteur, onde trabalhou com Leishmania junto a Jean Pierre Debet, e manteve bastante contato com o amigo Luiz Hildebrando Pereira da Silva. Apesar de diversos colegas o chamarem para voltar a atuar no Brasil, um convite para trabalhar como mestre de pesquisas no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), no Instituto Pasteur, em Paris, quatro anos depois, marcou uma nova fase na vida do pesquisador. Na instituição, passou a chefiar o laboratório da unidade de Imunoparasitologia, onde se aposentou em 1994. 

Desde 1997, Rabinovitch é professor colaborador na Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), onde recebeu um laboratório e foi orientador de diversos alunos da pós-graduação. Sua última orientação ocorreu em 2007. Hoje, o pesquisador, que continua acolhido na instituição, dedica seu tempo à revisão de trabalhos científicos sobre várias drogas não convencionais (disponíveis no mercado) com efeitos antitumorais, como Metfornima, Propranolol, Resveratrol, entre outras.

É preciso fortalecer as cadeiras de Oncologia Experimental no país

Fotografia atual de Michel, ele está olhando em um microscópio

Apesar de aposentado, Rabinovitch não cessou as pesquisas

Michel Rabinovitch está debruçado no estudo de drogas antitumorais reposicionadas, ditas não convencionais, entre as quais várias aprovadas no tratamento de outras condições e doenças, como a aspirina, o propranolol, a metformina, o resveratrol e a cloroquina. 

”Há uma série de moléculas. Tenho uma lista de cerca de 90 delas com atividade antitumoral comprovada em animais, mas que infelizmente não despertaram o interesse de investidores e indústrias farmacêuticas, por não terem sido canonizadas pelo Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, e continuam ignoradas nos tratados recentes de quimioterapia do câncer”, afirma. “Estas drogas não convencionais, que não fazem parte do armamento oncológico oficial, podem cooperar com os quimioterápicos convencionais, aumentando a atividade desses medicamentos, sem onerar a toxicidade ao paciente”. 

De acordo com ele, em todo o mundo dito livre, os custos para o tratamento de câncer pelas moléculas convencionais são muito altos e o desenvolvimento e aprovação de novas drogas pelo FDA pode custar centenas de milhões de dólares e levar até 17 anos para elas entrarem no mercado. Rabinovitch espera, no entanto, despertar o interesse de outros pesquisadores para levar adiante a proposta de associar drogas auxiliares da quimioterapia, duas a duas ou três a três, em estudos pré-clínicos, avaliando seus efeitos em culturas celulares em embriões normais de galinha ou enxertados com tumores humanos”, explica. “A julgar pela literatura, as drogas auxiliares foram geralmente utilizadas uma a uma, raramente em combinações de duas e quase nunca em combinações de três”.

Algumas das drogas não convencionais, com atividade antitumoral, que recebem mais atenção do pesquisador

Droga

Nº de Referências Bibliográficas

Aspirina

3.152

Cloroquina

971

Metformina

2.460

Propranolol

1.057

Resveratrol

1.685

Dicloroacetato

151

 

Em contraste, referências às combinações de duas moléculas adjuvantes no tratamento de câncer são extremamente raras (citados os dados de seis fármacos, mas, de acordo com o pesquisador, há muitos outros disponíveis)

Droga

Nº de Referências Bibliográficas

Aspirina / cloroquina

4

Aspirina / metformina

37

Aspirina / propranolol

8

Aspirina / resveratrol

11

Cloroquina / resveratrol

4

Cloroquina / Dicloroacetato

1

Metformina / cloroquina

10

Metformina / resveratrol

13

Metformina / Dicloroacetato

4

Propranolol / cloroquina

1

Fonte: Michel Rabinovitch

Para o pesquisador, esse protocolo, com as drogas auxiliares sós ou combinadas às drogas convencionais, além de gerar economia aos cofres públicos, abre a possibilidade de reduzir as doses de drogas tóxicas comumente utilizadas para o tratamento do câncer. 

Rabinovitch pretende concluir essa análise e submeter um artigo para publicação. “O Brasil precisa ser mais participativo, não somente em Oncologia Clínica, mas também na Experimental”, diz. “É preciso fortalecer cadeiras de Oncologia Experimental nas universidades de Ciências Básicas e investir não apenas em novas drogas, mas também em combinações de drogas já existentes (o que talvez dê menos prestígio, mas seja útil), com ação comprovada em animais, para podermos baratear os medicamentos contra câncer e torná-los mais acessíveis”.

 

Publicado em Edição 06
Segunda, 11 Novembro 2013 16:09

Novo passo na luta incessante contra o câncer

A descoberta de duas novas proteínas antimelanoma e o reconhecimento de diferentes moléculas por elas produzidas foram eficazes no combate às células tumorais

Ana Cristina Cocolo

Ilustração de Peptideo derivado de CDR

Peptideo derivado de CDR de anticorpo monoclonal (canto de baixo a esquerda) reage com beta-actina (vermelho) em células de melanoma e provoca a sua morte desintegrando a membrana nuclear (núcleos em azul)

Encontrar drogas mais eficazes contra o câncer e menos agressivas que a quimioterapia é um objetivo constante de pesquisadores do mundo todo. Um estudo desenvolvido na Unidade de Oncologia Experimental, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), abre novas perspectivas de tratamento contra um dos diversos tipos existentes dessa doença: o melanoma maligno. 

Fabricadas em laboratório, duas novas proteínas antimelanoma – chamadas de anticorpos monoclonais – foram capazes de inibir e combater células de melanoma maligno em camundongos (melanoma murino B16F10) tanto in vitro quanto in vivo. 

Luiz R. Travassos, coordenador do laboratório e orientador da tese de doutorado do biólogo Andrey Dobroff, diz que o uso de compostos antitumorais eficazes tem a vantagem de evitar os inúmeros efeitos colaterais decorrentes da aplicação da quimioterapia convencional. “Nem sempre a quimioterapia tem a eficácia esperada devido à multirresistência a drogas por parte das células tumorais”, afirma. Encontrar alternativas de drogas biológicas, menos tóxicas, e mais potentes que impeçam a reprodução das células tumorais e causem a sua morte ainda é uma guerra que está longe de acabar. “Entretanto, julgamos estar no caminho certo”.

Desde 1990, Travassos lidera a linha de pesquisa na Unifesp sobre atividade antitumoral de biomoléculas e seus mecanismos de ação em modelos animais e em células tumorais cultivadas em laboratório.

Primeiro os anticorpos, depois os peptídeos 

A pesquisa foi realizada em duas etapas distintas. Na primeira, Dobroff encontrou dois novos anticorpos monoclonais: o A4 e o A4M. Os anticorpos monoclonais são proteínas específicas produzidas em animais de laboratório que atuam sobre uma determinada região encontrada em um tipo específico de tumor, impedindo seu crescimento e causando sua morte.

Com a identificação dos mesmos, o pesquisador buscou, em conjunto com a Universidade de Parma, Itália, sequencias internas desses anticorpos, chamadas de regiões determinantes de complementariedade (CDRs), que definem a reatividade do anticorpo com moléculas expressas na superfície da célula tumoral (antígenos). No entanto, “os CDRs têm outras atividades biológicas independentes da especificidade do anticorpo e que podem ser traduzidas em atividades antibacterianas, antifúngicas, antivirais e antitumorais”, explica Travassos. “Enquanto pesquisadores italianos trabalharam as atividades antimicrobianas, anti-HIV e antifúngicas, nós testamos as ações antitumorais usando melanoma em modelos de camundongos singenêicos – geneticamente relacionados”. 

Cada anticorpo possui seis CDRs que foram sintetizados quimicamente como peptídeos – biomoléculas formadas com a união de dois ou mais aminoácidos.

Na pesquisa, foram testados tanto a aplicação dos anticorpos monoclonais quanto dos peptídeos sintetizados, em células tumorais in vitro e in vivo, especificamente em dois grupos de modelos animais: um com melanoma injetado sob a pele e, outro, com melanoma metastático no pulmão. 

Os resultados apontaram que o anticorpo monoclonal A4 foi capaz de destruir células do melanoma murino e linhagens tumorais humanas in vitro e o uso do mesmo na imunização passiva dos animais reduziu em cerca de 75% o número de metástases pulmonares dos camundongos. Cinco dos peptídeos derivados dos anticorpos A4 e A4M também induziram a morte celular e reduziram o número de nódulos pulmonares. “Os dados são animadores não apenas pelos resultados nas células tumorais mas também porque, em princípio, ambos anticorpos e peptídeos não apresentaram toxicidade alguma contra os animais”, afirma Travassos. “Hoje existem 12 anticorpos monoclonais aprovados pelo FDA que são utilizados como medicamentos para tratar câncer. Já os peptídeos são mais novos e ainda precisam vencer outras etapas da pesquisa básica para chegar à aplicação em humanos”. 

O FDA (Food and Drug Administration) é o órgão governamental dos EUA que controla alimentos, suplementos alimentares, medicamentos, cosméticos, materiais biológicos, produtos derivados do sangue humano e equipamentos médicos.

Melanoma maligno 

O melanoma maligno é o tipo de câncer de pele com pior prognóstico devido à sua capacidade de invasão e produção de metástases com rapidez disseminando-se para outros órgãos. Essa doença tem origem nos melanócitos, que são as células produtoras de melanina – substância que determina a cor da pele – e atinge, predominantemente, indivíduos de pele clara. Se detectado em estágios iniciais, pode ser removido cirurgicamente e o prognóstico é considerado bom. 

Travassos explica que, embora mais de 90% das lesões do melanoma primário surjam na pele, uma pequena porcentagem pode ser encontrada no olho, nas meninges e na mucosa dos aparelhos digestivo e respiratório. 

No Brasil, o câncer de pele é o mais frequente e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Além da pele clara, a exposição excessiva ao sol, histórias prévias de câncer de pele ou familiar de melanoma são alguns dos fatores de risco mais conhecidos para a doença. 

Em 2010, segundo o INCA (Instituto Nacional do Cancer), foram registradas 1.507 mortes decorrentes do melanoma, sendo 842 homens e 665 mulheres.

Tese de doutorado:
Anticorpos monoclonais (mAbs) protetores contra o melanoma murino B16F10. Atividade antitumoral de CDRs isolados, derivados desses anticorpos. Autor: Andrey Dobroff. Orientador: Luiz Rodolpho R. G. Travassos.

Publicado em Edição 01