Capital mundial das Ciências do Esporte

Campus Baixada Santista sediou a 3ª edição do Icsemis, congresso que contou com a participação de 46 países

Antonio Saturnino

Fotografia da apresentação da orquestra

Orquestra Sinfônica de Santos durante a abertura do Icsemis

Durante cinco dias, Santos foi a capital mundial das Ciências do Esporte. De 31 de agosto a 4 de setembro, a cidade sediou o Icsemis 2016 (sigla em inglês para Convenção Internacional de Ciência, Educação e Medicina no Esporte), congresso que acontece uma vez a cada quatro anos, sempre no país-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Em 2016, a organização local foi realizada pela Unifesp.

Foram mais de 1.400 trabalhos apresentados, entre palestras, simpósios e apresentação de pôsteres. O congresso recebeu cerca de 2 mil inscritos, mais de 60% dos quais eram provenientes de 46 países estrangeiros. Os números superam as duas primeiras edições, realizadas em Guangzhou, na China (2008), e em Glasgow, no Reino Unido (2012). 

O tema do congresso, Dizendo Sim à Diversidade no Esporte, destaca a importância de que as diferenças de gênero, raça, cultura e religião sejam respeitadas, de forma que o esporte seja um fator de união dos povos e de respeito às pluralidades.

Entre os estudos apresentados, houve pesquisas indicando o fator genético para o desempenho no esporte, a prática de atividade física como forma de prevenir doenças e diminuir os gastos com saúde pública, o legado dos jogos olímpicos e paralímpicos sob diversos pontos de vista, o impacto do esporte na saúde mental e o desenvolvimento do esporte paralímpico.

A Unifesp foi escolhida para sediar o evento pelo fato de possuir um curso de Educação Física consolidado, aliado à relevância nacional do seu curso de Medicina e da sua produção de pesquisas relacionadas ao esporte. A instituição mobilizou os corpos docente e discente para a realização do congresso. Cerca de 50 estudantes de graduação e pós-graduação trabalharam como voluntários e quase 60 professores fizeram parte dos comitês de organização, mediaram debates e/ou palestraram.

A organização local contou com representantes de outras universidades públicas, entre as quais estavam a Unicamp, USP, Unesp e UFMG, além do Celafiscs. O evento teve a parceria da prefeitura de Santos, do Sesc e do Santos Futebol Clube, e contou com apoio do Hospital Albert Einstein, Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, UFABC, UFSCar, UFCSPA, da Fapesp e do Ministério do Esporte.

O Comitê Internacional de Organização foi composto pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), pelo Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE) e pela Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS).

Foto de painéis

Exposição sobre a história dos Jogos Paralímpicos

Foto de publico

Público prestigia a apresentação de estudos científicos relacionados ao esporte

Um homem cadeirante faz uma apresentação
Uma pesquisadora fazendo apresentação

Pesquisadores apresentam seus estudos durante a terceira edição do congresso

Legado olímpico, jogos para o povo e diversidade no esporte

A pesquisadora Marianne Meier, do projeto Children Win, apresentou um estudo sobre o impacto de megaeventos esportivos nos países ou cidades-sede. Sua pesquisa também aborda o tema da aceitação das diversidades no esporte. Para ela, os eventos podem trazer benefícios aos locais onde são realizados, porém deve haver uma conversa muito transparente com a população, desde o momento em que o país decide se candidatar às confederações. “Em Hamburgo, por exemplo, houve um referendo e o povo disse não à candidatura para sediar a Olimpíada. Aqui no Brasil não houve consulta pública. Existe uma tendência de que esses grandes eventos sejam sediados em países onde a democracia ainda não é bem desenvolvida”, afirma.

Marianne afirma que os Jogos Olímpicos devem ser feitos para o povo e não focar apenas em lucros. “Os megaeventos não devem ferir os direitos das pessoas locais. O prefeito de Rio de Janeiro e o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) violaram esses direitos durante a organização dos jogos Rio 2016. O Brasil vive uma crise econômica e o dinheiro investido em arenas e estádios está fazendo falta na saúde, nas escolas etc.” Os jogos, segundo ela, são concebidos como “um evento da elite para as elites. Não é pensado para o povo e, principalmente, para as pessoas pobres. Eles falam sobre o espírito olímpico, união dos povos, paz e dignidade, mas isso não está acontecendo”.

O foco agora passa para a Rússia, que receberá a próxima Copa do Mundo, e o ponto central do estudo será a homofobia. De acordo com o estatuto da Fifa, a orientação sexual de qualquer pessoa não deve ser discriminada e no país a lei é homofóbica. 

De acordo com a pesquisadora, o governo russo diz que os gays serão bem recebidos, desde que ‘não pratiquem a homossexualidade’ no país. “O argumento é que eles querem proteger as crianças da homossexualidade, mas eles fazem o oposto”, afirma. “Os jovens devem ter o direito de ser eles mesmos, independente da sexualidade. Se você não pode falar com a criança sobre homossexualidade, você fere o direito dela de expressar os sentimentos”.

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