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Publicado em Eventos Arquivados
Terça, 06 Dezembro 2016 12:32

Mundo virtual estimula laços superficiais

Carine Mota

“Estamos diante de uma geração que utiliza os meios tecnológicos como recurso principal para lidar, superficialmente, com seus problemas de relacionamento”, afirma Denise De Micheli,chefe da disciplina Medicina e Sociologia do Abuso de Drogas (Dimesad) do Departamento de Psicobiologia da Unifesp. Em entrevista, Denise discute algumas das características do perfil dos adolescentes usuários de internet e mídias digitais, e a possível influência desse comportamento na sua qualidade de vida. Boa parte dos dados foram obtidos a partir de uma pesquisa para dissertação de mestrado orientada por Denise e apresentada em 2014 por Fernanda Davidoff ao Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da Unifesp.

Entrementes - Há uma relação entre o aumento no uso das redes sociais com o crescimento dos casos de depressão e suicídio?

Denise De Micheli - Não há, até onde sabemos, uma relação linear. O que se percebe é que devido ao aumento no uso de redes sociais pelos adolescentes, esses estão construindo outros níveis de amizade e sociabilidade. Níveis estes considerados distantes e superficiais, sem aquisição de vínculo. Isso sim sabe-se que é muito prejudicial.

E – É possível um uso controlado das redes sociais e aplicativos de relacionamentos?

DDM -Em se tratando de adolescentes, a questão do controle é mais complicada, pois o momento que eles vivem, do ponto de vista neurobiológico, não permite ainda um controle dos impulsos e autorregulação. Nesse caso, são necessárias interferência e monitorização dos pais, por meio do estabelecimento de regras de uso e tempo.Quando se trata dos adultos, o controle também não é tão simples, embora do ponto de vista neurobiológico o adulto já tenha maior controle de impulsos. Já existem alguns estudos que mostram que a navegação na internet, como em casos de jogos, por exemplo, ativa alguns neurotransmissores (a dopamina em especial) em áreas de recompensa do cérebro e isso causa prazer. É extremamente reforçador. Neste caso, o autocontrole também acaba sendo difícil. Por essa razão já existem alguns serviços para atender dependentes de redes sociais.

E -Pessoas que buscam relacionamentos em aplicativos, portais e sites têm que tomar quais precauções?

DDM -As pessoas devem tomar muito cuidado. Uma das questões que se observa na rede é que as pessoas, em geral, expõem seu melhor lado e muitas vezes mentem ou omitem informações de acordo com sua conveniência. Esse é o maior perigo. Os pais devem monitorar os filhos, orientando-os a não manter conversas com desconhecidos, a não fornecer informações pessoais a ninguém.;

E - Quais os prejuízos do uso excessivo das tecnologias, principalmente antes de dormir?

DDM -O indivíduo que se mantém conectado antes de dormir não permite que seu corpo e mente relaxem. Não são raras as pessoas que adormecem com o celular nas mãos, por estarem conectadas e interagindo em redes sociais até tarde da madrugada. Isso impede o completo relaxamento, não permite que o indivíduo tenha as horas de sono necessárias para seu bem-estar no dia seguinte. E, com isso, tem-se uma pessoa cansada física e mentalmente.

E - Como os pais podem orientar seus filhos ao utilizarem as redes?

DDM -Uma conversa transparente e verdadeira é sempre o melhor caminho. Explicar os perigos reais que crianças e adolescentes podem correr ao se exporem, mantendo contato com estranhos na internet, é sempre o melhor a se fazer. Os jovens precisam entender as razões pelas quais eles não devem se conectar a estranhos. Caso contrário, não fará sentido esse alerta e certamente irão burlar ou infringir as regras. Eles devem saber que podem correr perigo ao passar informações pessoais, como endereço, telefone, entre outras coisas.

E - Por que atualmente os jovens e adultos têm mais dificuldade para interagir fora do mundo virtual?

DDM Cada vez mais as pessoas apresentam dificuldades em lidar com seus sentimentos e dificuldades. A internet e as redes sociais acabam alimentando essa dificuldade, uma vez que proporcionam um contato à distância e de forma superficial. Hoje muitos adolescentes iniciam e terminam um relacionamento por meio do WhatsApp, e com isso não estabelecem vínculos, tampouco vivenciam a expectativa do sim do início do namoro e nem a tristeza do término. Tudo fica banal e simples, não se lida com sentimentos.

foto de um rapaz e uma moça usando o celular

E - Como os pais podem perceber que seus filhos sofrem cyberbullying e como os jovens podem se proteger dessas agressões?

DDM - Os pais devem sempre estar atentos a qualquer manifestação de comportamento diferente dos filhos, seja para o lado do isolamento e depressão, seja para o lado da euforia e extroversão. Qualquer um dos extremos deve ser observado com atenção.

E - Quais fatores do cyberbullying fazem os jovens chegarem ao ponto de pensarem no suicídio?

DDM - O jovem que pensa em suicídio já vivencia uma situação interna emocional grave. O cyberbullying somente vem a agravar a situação.

Brasil lidera em tempo gasto nas redes

 

O número de usuários de telefones móveis cresceu 7% no Brasil de outubro de 2014 para março de 2015, correspondendo a quase 39 milhões de novos adeptos. O país é líder global em maior tempo gasto nas redes sociais e elas atendem a uma demanda social 60% maior que a média mundial.

São gastos em média 21 minutos em cada rede, tempo 60% maior que a média mundial; 650 horas nas redes sociais/mês e 290 horas a mais nelas do que navegando em portais. Segundo a ComScore, o sistema Android corresponde a 72% do acesso móvel dos brasileiros, seguido por 15% do sistema IOS.

O percentual de brasileiros de 10 anos ou mais que são usuários de internet chegou a 55%, o que corresponde a 94,2 milhões de usuários. A atividade mais realizada pelos usuários nos três meses anteriores à pesquisa é o envio de mensagens instantâneas, como por exemplo o chat do Facebook, Skype ou WhatsApp (83% dos usuários de internet). A participação em redes sociais figura entre as ações mais citadas, com 76%.

Os dados são da 10ª edição da pesquisa TIC Domicílios, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

entrementes 12 nov 2015  Sumário do número 12

Publicado em Edição 12