Terça, 28 Março 2017 19:33

Simpósio aborda uso de tecnologias da informação e comunicação em políticas participativas

Evento permitiu a troca de experiências de pesquisadores, técnicos e docentes da Unifesp e outras instituições

Por Valquíria Carnaúba

Foi realizado na última sexta-feira (24/3), no auditório térreo do prédio da Reitoria, o simpósio Ativismo Social, Democracia Participativa e Tecnologia da Informação Aplicada. O evento, mediado pelo docente Felix Ruiz Sanchez, contou com pesquisadores, técnicos e docentes da Unifesp e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), além de representantes do Movimento Social Sem Teto (MTST) e do Centro de Estudos e Articulação da Cooperação Sul-Sul Brasil, que compartilharam experiências acumuladas no uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em políticas participativas.

James Holston (UCLA), por meio de transmissão via Skype, expôs um projeto bem-sucedido desenvolvido no município de Managua (Nicarágua), denominado DengueChat. A iniciativa consiste em um aplicativo para web e dispositivos móveis, por meio do qual voluntários do projeto podem registrar e comentar focos de proliferação do Aedes Aegypti no município. "Lançando mão de mídias sociais, jogos e componentes educacionais, o DengueChat permitiu uma atuação conjunta com o Ministério da Saúde na Nicarágua voltada ao fortalecimento dos sistemas sustentáveis de saúde pública", explicou.

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Christian Parra (UCLA) apresenta experiências desenvolvidas em políticas participativas junto a James Holston (via Skype), da mesma universidade

Ele frisou que a iniciativa adquiriu especial importância diante do crescimento dos casos de dengue no mundo, e que o sucesso de seu combate está condicionado ao envolvimento da comunidade. “Infelizmente, os governos são viciados em alguns métodos que não incluem, em geral, a participação comunitária. Investem por vezes bilhões em vacinas, e o mosquito ressurge com um novo vírus no ano seguinte. Nosso pressuposto é que doenças como a dengue são politizadas, pois mostram a ineficácia do Estado para lidar com ameaças públicas. Algo que descobrimos com essa experiência é que, quando agentes de vigilância sanitária entram nas casas em bairros mais humildes, esses moradores têm a impressão de que o governo os culpa pelas doenças que se proliferam, e esse é um tipo de humilhação que cria resistência à fiscalização. O DengueChat, por outro lado, possui um viés horizontal”, argumenta.

O pró-reitor de Planejamento da Unifesp, Pedro Arantes, abordou brevemente a experiência institucional com o desenvolvimento de experiências participativas durante a implantação da consulta paritária e da elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional 2016-2020. "A Unifesp enfrenta diversos desafios no aprofundamento de seu processo democrático, por isso decidimos fazer esse seminário. Estamos em um momento global adverso da democracia em que se questiona a validade da democracia representativa. Na universidade, vários processos participativos foram instaurados, como o Plano Diretor e o Plano de Desenvolvimento Institucional. Uma das coisas que valem frisar é que, em nossa comunidade acadêmica de mais de 22.000 pessoas, temos 2.400 representantes eleitos, ao mesmo tempo uma hipertrofia da democracia representativa e um modelo ainda pouco efetivo pela descrença nesses espaços", explanou.

O evento foi finalizado pelos professores Henrique Parra e Osmany Porto (Campus Guarulhos), que debateram outras experiências. “Passei 10 anos estudando iniciativas de políticas participativas ao redor do globo. Concentrei as pesquisas no Brasil, na África Subsaariana, Senegal, Equador, Peru e França. Segundo o último levantamento da Rede Brasileira de Orçamento participativo, há mais de 2.800 experiências de orçamento participativo no planeta, que se concentram na América Latina e na Europa. Uma das principais reflexões que trago dos resultados é o questionamento sobre o espaço das universidades nesses processos: é preciso que ultrapassem o limiar da prática e desenvolvam a prática de acompanhamento, análise e produção de conhecimento em participação social”, defendeu Porto.

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Osmany Porto (Campus Guarulhos) trata de experiências em políticas participativas com base em seus estudos no Brasil, na África Subsaariana, Senegal, Equador, Peru e França

 

Lido 6222 vezes Última modificação em Quarta, 24 Maio 2017 17:39

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