Segunda, 26 Outubro 2020 09:25

Núcleo TransUnifesp torna-se órgão complementar da universidade

Serviço, que oferece assistência multiprofissional à comunidade trans, pretende ampliar atividades

Por Tamires Tavares

NUT portal1

O Conselho Universitário da Universidade Federal de São Paulo (Consu/Unifesp) aprovou, em reunião ordinária de 9 de setembro de 2020, a ascensão do Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Assistência à Pessoa Trans Professor Roberto Farina (Núcleo TransUnifesp - NTU) como órgão complementar da universidade. Desde a sua criação, em 2016, o NTU viabiliza cuidados em saúde e promoção de cidadania a pessoas trans e intersexo, através de atividades de ensino, pesquisa, extensão e assistência.

“Como órgão complementar, o NTU ampliará suas atividades acadêmico-assistenciais de estágio para estudantes da graduação, de articulação de projetos multisaberes e intercampi, além da abertura do atendimento ambulatorial para adolescentes e suas famílias vivenciando variabilidades de gênero", explica o pró-reitor adjunto de Extensão e Cultura da Unifesp e coordenador do NTU, Magnus Dias da Silva.

Idealizado por estudantes, docentes, pesquisadores e servidores da Unifesp, além de ativistas trans, o NTU se formou em 2016 como um grupo de trabalho para criação do Centro de Atenção à Pessoa Trans na Unifesp. Em 24 de março de 2017, foi inaugurado o ambulatório do NTU, serviço elaborado com representação de movimentos sociais como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT) e serviços parceiros como o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais (ASITT) do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT), da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), entre outras instituições e movimentos da população LGBTQIA+.

Além das atividades acadêmicas na Unifesp, produção de conhecimento e pesquisas científicas, o NTU atua em assistência à saúde de pessoas trans através de um ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS). Nele, é possível receber atendimento clínico individual e em grupo, com especialistas em endocrinologia, enfermagem, fonoaudiologia, ginecologia, psicologia, psiquiatriae urologia, e encaminhamento para procedimentos cirúrgicos disponíveis, vaginoplastia e mamoplastia masculinizadora, através de fila única organizada pelo ASITT/CRT.

“O Núcleo TransUnifesp é um exemplo de que é possível olhar para uma pessoa como um ser integral. Eu, como homem trans e profissional de saúde que atua numa equipe interdisciplinar (NASF-AB) na atenção básica, o vejo como uma escola por onde todos os profissionais de saúde deveriam passar. As discussões dos casos de cada pessoa atendida traz um olhar mais humano, que faz do acompanhamento clínico um cuidado que vai para além de medicar – destrói preconceitos e faz todos se sentirem importantes e parte de uma sociedade que está em constante mudança”, relata o profissional em Educação Física Denny Tavares.

Com a elevação a órgão complementar, o núcleo pretende ampliar o atendimento, garantindo a fixação de profissionais de saúde no ambulatório, além de preservar a gestão e conselho próprio dentro de seus princípios de união entre a academia e o ativismo e representar a Unifesp nas parcerias com instituições externas e na construção de políticas públicas e promoção de cidadania LGBTQIA+ (Secretarias de Saúde e Direitos Humanos).

Mais informações podem ser obtidas no site do NTU.

 

 

Lido 1135 vezes Última modificação em Quarta, 11 Novembro 2020 15:38

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