De acordo com pesquisa inédita, redução do índice de massa corporal (IMC) poderia evitar as principais doenças crônicas

Publicado em RELEASES
Sábado, 10 Outubro 2015 14:34

Herança do homem branco

Proximidade com alimentos industrializados estão deixando nossos índios tão ou mais doentes que a população geral. Novos casos de síndrome metabólica cresceram 37,5% ao longo de dez anos

Bianca Benfatti
Com colaboração de Ana Cristina Cocolo

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Ritual Tawarawaná na aldeia Ngoiwere, povo Khisêdjê

Apesar de as doenças infecciosas e parasitárias ainda serem o motivo de várias mortes entre a população indígena do Xingu, é a prevalência cada vez maior de doenças crônicas – como hipertensão arterial e diabetes mellitus – que está deixando especialistas de sobrealerta e preocupados com o futuro dessa população. 

Uma pesquisa coordenada pela professora do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo – e do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva, Suely Godoy Agostinho Gimeno, apontou que 10,3% dos indígenas, tanto do sexo masculino quanto do feminino, apresentavam sintomas de hipertensão arterial. A intolerância à glicose foi observada em 30,5% das mulheres – quase 7% com diabetes mellitus – e em 17% dos homens. A dislipidemia (presença excessiva ou anormal de colesterol e triglicerídeos no sangue) foi detectada em 84,4% dos participantes da pesquisa. Por fim, constatou-se que 57% dos homens e 36% das mulheres sofria com excesso de peso. Já a obesidade central (acúmulo de gordura na parte superior do corpo) predominou entre as indígenas com 68%. 

“Um achado importante foi que, pelos dados da impedância bioelétrica (resistência e reactância), que são uma ‘proxi’ da composição corporal dos sujeitos, observou-se que a elevada prevalência de excesso de peso, particularmente entre os homens, se deve à maior quantidade de massa muscular e não de gordura corporal”, diz a pesquisadora. Isso sugere que esses indivíduos são musculosos, por serem ativos, e não obesos, refutando a ideia de que o sedentarismo estaria relacionado com as doenças crônicas encontradas. Desse modo, o excesso de peso deve ser analisado de outra maneira. 

Os dados foram colhidos de 179 indígenas do povo Khĩsêdjê, na aldeia principal Ngôjwêre – Posto indígena Wawi – no Parque Indígena do Xingu (PIX), em dois períodos: julho de 2010 e agosto e setembro de 2011. Na ocasião foram realizadas entrevistas, exames e testes físicos por uma equipe composta por médicos, enfermeiras, nutricionistas, educadores físicos, graduandos do curso de Medicina e de Enfermagem, além de uma antropóloga do Projeto Xingu e um sociólogo. Agentes de saúde e professores indígenas, que vivem na aldeia Ngôjwêre, atuaram como intérpretes e ajudaram a estabelecer a comunicação para a coleta de dados.

Durante o estudo, foram realizadas várias conversas com as lideranças, homens e mulheres, sobre as mudanças no modo de viver e de se alimentar. A devolutiva dos dados e informações foi importante para a construção de estratégias coletivas para o enfrentamento dos problemas apontados pela pesquisa.

Essa pesquisa, intitulada Perfil Nutricional e Metabólico de Índios Khĩsêdjê originou, até o presente, seis apresentações em conferências internacionais, duas em congressos nacionais, três dissertações de mestrado, duas teses de doutorado (uma ainda em conclusão) e duas publicações de artigo na revista Cadernos de Saúde Pública. 

Em dez anos, 37% de novos casos

Um dos desdobramentos da pesquisa de Suely avaliou a incidência acumulada de síndrome metabólica na população Khĩsêdjê ao longo de dez anos, ou seja, a proporção de indivíduos que desenvolveram a doença durante esse período. A pesquisa foi realizada em duas etapas, na principal aldeia dos índios Khĩsêdjê, a Ngôjwêre, dentro do PIX. A primeira investigação ocorreu entre os anos de 1999 e 2000 e a segunda entre 2010 e 2011.

Os resultados apresentados como tese de doutorado pela nutricionista Lalucha Mazzucchetti ao programa de pós-graduação em Saúde Coletiva, orientada pela professora, assustam e mostram o quanto a saúde dos nossos índios está deteriorando-se. Foi encontrado um aumento de 37,5% de novos casos do problema.

A síndrome metabólica é uma doença crônica não transmissível (DCNT) que pode ser definida pela presença concomitante de ao menos três alterações metabólicas, entre elas: a obesidade central, a intolerância à glicose, a hipertensão arterial, a hipertrigliceridemia (altos índices de triglicérides) ou baixo HDL colesterol (chamado de bom colesterol). A presença da síndrome eleva de 1,5 a 2,5 vezes o risco de morte no indivíduo, inclusive por doenças cardiovasculares.

O estudo, que acompanhou 78 índios acima de 20 anos, também aponta que surgiram 47,4% novos casos de hipertrigliceridimia, 39,8% de hipertensão arterial (com um acréscimo de 3% para cada ano de vida dos indivíduos analisados, independentemente do sexo), 32% de obesidade central, 30,4% de excesso de peso, 29,1% de hipercolesterolemia (colesterol alto), 25% de baixo HDL colesterol, 10,4% de elevado LDL (colesterol ruim) e 2,9% de diabetes mellitus.

Quando se comparou os valores entre os gêneros, o sexo feminino apresentou maior incidência acumulada de síndrome metabólica (48,1%) que os homens (27,6%), obesidade central (60% versus 20%) e LDL elevado (19% versus 3,7%). Já entre os homens, os novos casos foram maiores com relação à hipertensão arterial (41,7% versus 36,2%), à hipercolesterolemia (33,3% versus 24%) e ao elevado nível de ácido úrico no sangue (21,9% versus 5,9%).

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Anta recém-abatida que proverá alimentação à aldeia Kh~isêdjê por até dois dias

Mudança de hábito

De acordo com Suely, essas doenças crônicas podem estar relacionadas à crescente exposição dos índios aos centros urbanos, o qual estimula o consumo de alimentos industrializados e o trabalho em atividades remuneradas, entre outros comportamentos absorvidos por eles que substituem as tradições alimentares e cotidianas dos índios, mudando a relação destes com o trabalho, terra e alimentação.

Para a professora, a preservação dos hábitos e costumes desses povos seria uma medida preventiva de grande valia. Como exemplo de tal iniciativa, os profissionais da equipe do Projeto Xingu estão auxiliando a equipe de saúde que atua no Polo Wawi a organizar e realizar um diálogo intercultural, proposto na forma de oficinas de culinária. A ação busca informar aos Khĩsêdjê sobre o uso correto da nossa alimentação (não indígena) e valorizar sua dieta tradicional. Além dos Khĩsêdjê, oficinas foram realizadas com os Kawaiwete e com os Yudjá.

Suely ainda avalia que a garantia da terra e dos territórios indígenas também é fundamental, já que eles dependem dela para sua sobrevivência por meio da caça, pesca, cultivo e coleta de alimentos. “Além disso, algumas políticas públicas podem agravar o problema como, por exemplo, a de distribuição de cestas básicas para esses indivíduos”, afirma. “É preciso que tais iniciativas respeitem as diferenças culturais existentes entre os indígenas e os não indígenas”, completou.

Tratamento e infraestrutura

O tratamento dos indígenas, que apresentam sintomas das enfermidades investigadas, particularmente do diabetes mellitus, às vezes é complicado, pois demanda condições especiais nem sempre disponíveis nas aldeias. “A insulina precisa estar em constante refrigeração, os medicamentos necessitam de controle da dose e de horário e os níveis de glicemia e da pressão arterial precisam ser monitorados regularmente”, explica Suely.

Os indígenas que precisam de acompanhamento médico continuam sendo atendidos e monitorados pela equipe de saúde da Unifesp, na Unidade de Saúde e Meio Ambiente do Departamento de Medicina Preventiva da EPM/Unifesp. “Os Khĩsêdjê desejavam conhecer seu atual perfil de saúde no que diz respeito à presença de doenças crônicas”, afirma a pesquisadora. “Além da importância científica e acadêmica dessa investigação, atendemos também uma demanda dessa comunidade”.

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Crianças Khisêdjê banhando-se no Rio das Pacas, localizado em uma sub-bacia hidrográfica do Alto Rio Xingu

Artigos relacionados: 
SANTOS, Kennedy Maia dos; TSUTSUI, Mario Luiz da Silva; GALVÃO, Patrícia Paiva de Oliveira; MAZZUCCHETTI, Lalucha; RODRIGUES, Douglas; GIMENO, Suely Godoy Agostinho. Grau de atividade física e síndrome metabólica: um estudo transversal com indígenas Khĩsêdjê do Parque Indígena do Xingu, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, v. 28, nº 12, p. 2327-2338, dez. 2012. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001400011>. Acesso em: 16 set. 2015.
MAZZUCCHETTI, Lalucha; GALVÃO, Patrícia Paiva de Oliveira; TSUTSUI, Mario Luiz da Silva; SANTOS, Kennedy Maia dos; RODRIGUES, Douglas Antônio; MENDONÇA, Sofia Beatriz; GIMENO, Suely Godoy Agostinho. Incidência de síndrome metabólica e doenças associadas na população Khĩsêdjê do Xingu, Brasil Central, no período de 1999-2000 a 2010-2011. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, v.30, nº 11, p.1-11, nov. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n11/pt_0102-311X-csp-30-11-2357.pdf>. Acesso em: 16 set. 2015.

grafismo xingu 05
Publicado em Edição 05
Quinta, 15 Outubro 2015 09:53

Edição 5 - Entreteses

banner entreteses 05 -Médico e indígena retratados de perfil com o texto projeto xingu 50 anos

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Novembro 2015

Há 50 anos, a Unifesp cuida da saúde dos povos que vivem no Parque Indígena do Xingu (PIX). Graças ao Projeto Xingu, iniciativa pioneira implementada pela Escola Paulista de Medicina (EPM), o alto índice de mortalidade dessa população, decorrente das grandes epidemias na região, foi reduzido e houve um significativo aumento populacional das etnias.

Encabeçado pelo Prof. Roberto Baruzzi, após o convite do sertanista e então diretor do PIX Orlando Villas Bôas, o Projeto Xingu já levou mais de 500 profissionais da área da saúde (entre professores, médicos, enfermeiros e estudantes) ao local para prestar assistência e, por meio da pesquisa científica, ajudar a melhorar a saúde desses povos. Trata-se de uma história construída a partir de um delicado processo de aprendizado e respeito às culturas – tão diferentes – e que é contada em 30 páginas dessa edição.

Ainda nesse número, apresentamos, pesquisas na área de Nutrição e Informação em Saúde, uma entrevista exclusiva com a secretária especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Eleonora Menicucci de Oliveira, na qual ela fala, entre outros temas, sobre feminicídio e atenção humanizada aos casos de abortamento no Brasil.

No perfil, trazemos um dos mais antigos e renomados pesquisadores da Cannabis sativa do país, o diretor do Centro Brasileiro sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e professor emérito da Unifesp, Elisaldo Carlini.


Outras edições da Entreteses:

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Publicado em Entreteses

Hipertensão arterial e diabetes, entre outros males, atingem um número crescente de indígenas do Xingu e preocupam especialistas

Bianca Benfatti

grafismo xingu
Quatro fotos de índios fazendo exames médicos

Apesar de as doenças infecciosas e parasitárias ainda serem o motivo de várias mortes entre a população indígena do Xingu, é a prevalência cada vez maior de doenças crônicas – como hipertensão arterial e diabetes mellitus – que está deixando especialistas de sobrealerta e preocupados com o futuro dessa população.

Uma pesquisa coordenada pela professora do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp – Campus São Paulo – e do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva, Suely Godoy Agostinho Gimeno, apontou que 10,3% dos indígenas, tanto do sexo masculino quanto do feminino, apresentam sintomas de hipertensão arterial.

A intolerância à glicose foi observada em 30,5% das mulheres – quase 7% com diabetes mellitus – e em 17% dos homens. A dislipidemia (presença excessiva ou anormal de colesterol e triglicerídeos no sangue) foi detectada em 84,4% dos participantes da pesquisa. Por fim, constatou-se que 57% dos homens e 36% das mulheres sofria com excesso de peso. Já a obesidade central (acúmulo de gordura na parte superior do corpo) predominou entre as indígenas com 68%.

“Um achado importante foi que, pelos dados da impedância bioelétrica (resistência e reactância) que são uma ‘proxi’ da composição corporal dos sujeitos, observou-se que a elevada prevalência de excesso de peso, particularmente entre os homens, se deve à maior quantidade de massa muscular e não de gordura corporal”, diz a pesquisadora. Isso sugere que esses indivíduos são musculosos, por serem ativos, e não obesos, refutando a ideia de que o sedentarismo estaria relacionado com as doenças crônicas encontradas. Desse modo, o excesso de peso deve ser analisado de outra maneira.

Os dados foram colhidos de 179 indígenas da tribo Khisêdjê, na aldeia principal Ngojwere – Posto indígena Wawi – no Parque Indígena do Xingu, em dois períodos: julho de 2010 e agosto e setembro de 2011. Na ocasião foram realizadas entrevistas, exames e testes físicos por uma equipe composta por médicos, enfermeiras, nutricionistas, educadores físicos, graduandos do curso de Medicina e de Enfermagem, além de um sociólogo. Agentes de saúde e professores indígenas, que vivem na aldeia Ngojwere, atuaram como intérpretes e ajudaram a estabelecer a comunicação para a coleta de dados.

Tratamento depende de infraestrutura

O tratamento dos indígenas, que apresentam sintomas das enfermidades investigadas, particularmente do diabete mellitus, às vezes é complicado, pois demanda condições especiais nem sempre disponíveis nas aldeias. “A insulina precisa estar em constante refrigeração, os medicamentos necessitam de controle da dose e de horário, e os níveis de glicemia e da pressão arterial precisam ser monitorados regularmente”, explica Suely.

Os indígenas que precisam de acompanhamento médico continuam sendo atendidos e monitorados pela equipe de saúde da Unifesp, na Unidade de Saúde e Meio Ambiente do Departamento de Medicina Preventiva da EPM. “Os Khisêdjê desejavam conhecer seu atual perfil de saúde no que diz respeito à presença de doenças crônicas”, afirma a pesquisadora. “Além da importância científica e acadêmica dessa investigação, atendemos também uma demanda dessa comunidade”.

Fotografia da equipe, são 18 pessoas e estão em frente a uma consntrução coberta de palha, em um dia ensolarado

Equipe de pesquisa em 2010

Fotografia da equipe, são 17 pessoas em frente a uma construção coberta de palha

Equipe de pesquisa em 2011

Mudança de hábito

Essas doenças crônicas podem estar relacionadas à crescente exposição dos índios aos centros urbanos, o qual estimula o consumo de alimentos industrializados e o trabalho em atividades remuneradas, entre outros comportamentos absorvidos por eles que substituem as tradições alimentares e cotidianas dos índios, mudando a relação destes com o trabalho, terra e alimentação.

De acordo com Suely, a preservação dos hábitos e costumes desses povos seria uma medida preventiva de grande valia. Como exemplo de tal iniciativa, os membros do grupo estão auxiliando os profissionais da equipe de saúde que atua no Polo Wawi a organizar e realizar um diálogo intercultural, proposto na forma de oficina de culinária. A ação busca informar aos Khisêdjê sobre o uso correto da nossa alimentação (não indígena) e valorizar sua dieta tradicional.

Suely ainda avalia que a garantia da terra e dos territórios indígenas também é fundamental, já que eles dependem dela para sua sobrevivência por meio da caça, pesca, cultivo e coleta de alimentos. “Além disso, algumas políticas públicas podem agravar o problema como, por exemplo, a de distribuição de cestas básicas para esses indivíduos”, afirma. “É preciso que tais iniciativas respeitem as diferenças culturais existentes entre os indígenas e os não indígenas”, completou.

Para a professora Suely, o fato de existir um histórico de violência na relação com os indígenas não representou um problema no convívio com os médicos, pois como a equipe está presente no Xingu desde 1965, a relação está consolidada e bem estabelecida. “É preciso considerar que se comete um equívoco quando se fala de ‘gerenciamento’ de população indígena brasileira”, disse.

Ainda segundo ela, algumas distinções têm que ser feitas não apenas do ponto de vista de suas condições de saúde ou de convívio com a sociedade não indígena. A diversidade da organização da sociedade indígena, a qual possui 305 povos e 274 línguas distintas, com seus inúmeros mitos e ritos, envolve e orienta a vida cotidiana. A heterogeneidade se reflete nas relações (pacíficas ou conflituosas) com os não indígenas.

As dificuldades encontradas na operação logística, necessária à permanência de todo o grupo na aldeia, foram marcantes. Entre elas está o deslocamento, de São Paulo até a aldeia, dos equipamentos de uso pessoal e coletivo, das redes para dormir e de todos os aparelhos usados na coleta de dados. Assim como o transporte, de Canarana ao Posto Indígena Wawi, dos produtos de higiene/limpeza não perecíveis e combustível (utilizado tanto para a manutenção do gerador, quanto para o veículo que transporta a equipe de pesquisa entre as aldeias). O deslocamento da equipe se deu por via aérea de São Paulo a Goiânia e terrestre de Goiânia a Canarana por meio de ônibus comercial. De Canarana ao Posto Wawi, foi utilizado um  transporte contratado para esse fim. Fazendo o mesmo trajeto no retorno.

A pesquisa originou, até o presente, seis apresentações em conferências internacionais, duas em congressos nacionais, três dissertações de mestrado e uma publicação de artigo na revista Cadernos de Saúde Pública. Outras duas teses de doutoramento encontram-se em andamento.

Acompanhamento antigo

Os índios, desde o início da colonização portuguesa em 1500, sofrem com as doenças trazidas pelos não indígenas. A convivência com estes resultou, e ainda resulta, em doenças graves, com altas taxas de mortalidade entre os povos indígenas. Milhares morreram no contato direto ou indireto com os europeus e as doenças trazidas por eles, pois não possuíam imunidade natural. Gripe, sarampo, coqueluche, tuberculose, varíola e sífilis são alguns dos males que vitimaram sociedades indígenas inteiras.

A EPM passou a responder, em 1965, pela assistência à saúde dos indígenas que viviam no Parque do Xingu. Naquela época, a malária era uma das principais razões de mortalidade em todas as faixas etárias, enquanto que as infecções do trato respiratório e as doenças diarreicas eram os problemas mais comuns entre os mais jovens. Atualmente, a malária está controlada. O que preocupa, hoje, são as já mencionadas doenças crônicas (hipertensão, diabetes mellitus, intolerância à glicose, entre outras).

Pesquisa: Perfil nutricional e metabólico de índios Khisêdjê

Artigos relacionados: SANTOS, Kennedy Maia dos; TSUTSUI, Mario Luiz da Silva; GALVÃO, Patrícia Paiva de Oliveira; MAZZUCCHETTI, Lalucha; RODRIGUES, Douglas; GIMENO, Suely Godoy Agostinho. Grau de atividade física e síndrome metabólica: um estudo transversal com indígenas Khisêdje do Parque Indígena do Xingu, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, v.28, n.12, p. 2327-2338, dez. 2012. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001400011 >.

grafismo xingu

Veja também: Herança do homem branco

Publicado em Edição 02