Vacinação contra Febre Amarela: O que você precisa saber sobre

O infectologista Celso Granato esclareceu algumas dúvidas sobre o assunto que está tomando conta do estado e da cidade de São Paulo

 

celso granato foto arquivo pesoal

Crédito: Arquivo Pessoal

 

Por Renato Conte

O Brasil está vivendo agora mais um surto de Febre Amarela. Este acontece regularmente a cada 8 a 9 anos, em função da ocorrência da doença entre macacos. O último havia sido em 2008-2009 e no segundo semestre de 2016 outro teve início, principalmente nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, mas acometendo também o interior do estado de São Paulo. 

Esse último surto já estava arrefecendo com a chegada do frio na metade de 2017, mas reapareceu no final desse ano que passou e, dessa vez, chegou bem mais próximo da região urbana da cidade de São Paulo. É evidente que isso gerou uma preocupação muito grande das autoridades de saúde e, claro, da população em geral.

Como a vacina contra a Febre Amarela não fazia parte do calendário normal de vacinação, surgiram muitas dúvidas a respeito de quem deve e de quem pode receber a vacina.

Aqui vai um resumo das perguntas mais frequentes e a resposta para elas.

 

Como é feita a vacina contra a Febre Amarela?

Essa é uma vacina que contém vírus vivos, mas enfraquecidos. Esses vírus são cultivados em ovos galados ou embrionados e, por causa desse processo, ficam mais fracos e muito raramente podem provocar problemas em pessoas para quem a vacina está recomendada. Mas, como são vírus vivos, existe a possibilidade de as pessoas terem algumas reações, que vão desde dor e inchaço no local da injeção (surgem já no dia seguinte e duram 1 a 2 dias) até uma “febrinha amarela”, que é uma reação que pode causar uma febre baixa, mal-estar geral, indisposição e que aparece de 5 a 10 dias depois da vacinação e desaparece.

Quem não deve tomar essa vacina antes de consultar o seu médico?

As pessoas que tem alergia ao ovo e cuja reação é importante (falta de ar, inchaço na boca, vermelhidão intensa e coceira pelo corpo) não devem tomar essa vacina. Mulheres grávidas também devem evitar tomar essa vacina, a menos que vivam em regiões onde o risco da doença é muito grande. Os médicos dos postos de saúde podem orientar se uma grávida deve ou não ser vacinada. Da mesma forma, mulheres que estão amamentando devem evitar tomar a vacina, porque ela pode ser eliminada no leite e os bebês com até seis meses de idade não podem ter contato com esse vírus. Por essa mesma razão, não se vacinam crianças com menos de seis meses de idade; quando a criança tem entre seis e nove meses, só se vacina se o risco for muito grande nessa região – novamente o médico pode orientar quais crianças devem e podem tomar essa vacina. Acima de nove meses, normalmente as crianças podem ser vacinadas, mas entre os nove meses e os cinco anos, as crianças vão precisar tomar um reforço.

Quem mais precisa se informar se pode ou não tomar a vacina?

As pessoas com mais de 60 anos devem consultar o médico para saberem se podem ou não se vacinar. Acima dos 60 anos começa a aumentar o risco de efeitos colaterais da vacina contra Febre Amarela. Os riscos não são exageradamente altos, mas vão aumentando dos 60 aos 70 anos e principalmente dos 70 aos 80 anos. Assim, a partir dos 60 e principalmente acima de 70 e 80 anos, há necessidade de se informar com o médico se a vacina pode ou não ser tomada.
Pessoas que estão fazendo tratamento contra o câncer ou que estão usando remédios que alteram a imunidade da pessoa (por exemplo, corticoides) devem consultar seus médicos, pois a vacina pode ter mais efeitos colaterais. Da mesma forma, pessoas com lúpus eritematoso, artrite reumatoide ou outras doenças que requerem uso de corticoides, devem consultar seus médicos antes de se vacinar para saber se podem tomar essa vacina.
Pessoas HIV soropositivas e que tem contagem baixas de células (CD4 abaixo de 350 células) devem consultar seus médicos, da mesma forma.

E as pessoas que já foram vacinadas anteriormente, devem se vacinar de novo?

Essa foi uma regra que mudou nos últimos anos. Até 2016, a recomendação era de que as pessoas se vacinassem a cada 10 anos. Porém, a Organização Mundial da Saúde fez um estudo de grandes proporções e percebeu que mesmo pessoas vacinadas há mais de 10, 20 e até 30 anos ainda estavam protegidas e não precisavam tomar outras doses da vacina. Assim, quem tomou uma dose da vacina acima dos 5 anos de idade, não precisa se vacinar mais. Quem tomou a dose antes dos cinco anos de idade, deve tomar mais um reforço.

E a vacina fracionada, como funciona?

Como não existe vacina para todo mundo, houve a necessidade de se dividir a vacina em cinco partes. É a mesma vacina, mas ela vai ser fracionada para que mais pessoas possam tomá-la. Por causa disso, a duração deve ser menor do que a “inteira”. Provavelmente, quem tomar a vacina fracionada (que só vai ser dada a partir de fevereiro de 2018) vai precisar tomar um reforço daqui a oito anos, aproximadamente. Quem foi vacinado até hoje sempre tomou a vacina completa. Já existe experiência fora do Brasil de que a vacina fracionada projete bem, mas por um tempo um pouco mais curto.

 

Fonte: Celso Francisco Hernandes Granato – Professor Livre Docente da Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp)