Transporte público para o Parque Tecnológico

Na próxima terça-feira, dia 30/06/2015, participarei de uma reunião com o secretário de transportes de SJC, com o diretor da FATEC SJC e com o diretor do Parque Tecnológico para novamente tratar e buscar um transporte público minimamente adequado para o Parque Tecnológico. 
 
Foi só com muita mobilização que a prefeitura cedeu e criou uma linha semi-expressa em agosto de 2014, mas que só opera em 3 horários. É preciso muito mais carros e horários. 
 
Em tempo: no dia 2 de julho ocorrerá uma reunião com a EMTU para tratar do transporte metropolitano para o Parque Tecnológico.
 
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Reproduzo artigo que fiz com a estudante Raquel Marcondes e que foi publicado no jornal O Vale exatamente há um ano:
 
 

Ponto do futuro, transporte do passado

 

 

 

Em recente entrevista ao jornal O Vale o atual diretor do Parque Tecnológico, o engenheiro Horácio Forjaz, afirmou que esse é o ponto do futuro da cidade.  Não temos dúvida, e acrescentamos que o Parque é uma conquista do presente e do futuro do país. De fato, já convivem no mesmo ambiente instituições de ensino e pesquisa de alto nível e diversas empresas de base tecnológica, de iniciantes e incubadas a grandes multinacionais. A geração de emprego e renda oriunda do Parque deve acelerar nos próximos anos.

O Parque Tecnológico é um exemplo também do ponto de vista de política pública, pois dele participam os governos municipal, estadual e federal. Como deveria ocorrer em toda política pública, o interesse público, ou seja, da população, está acima dos interesses partidários-eleitorais.

Em contrapartida, o transporte público para o Parque Tecnológico continua na lógica do passado. Com efeito, para o ponto futuro da cidade há apenas uma linha de ônibus, com um itinerário restrito, mais de 30 paradas em pontos de alto índice de congestionamento, além de levar em média uma hora para cumprir seu trajeto, na ida e na volta. E o pior, algumas autoridades defendem não ser necessária a criação de novas linhas, mesmo com o constante aumento no número de empresas no Parque Tecnológico, e assim de trabalhadores, com a FATEC e UNESP já em funcionamento, mais trabalhadores e estudantes, e nem mesmo com o início da operação da Unifesp em agosto próximo, quando a comunidade que estuda ou trabalha no Parque Tecnológico aumentará em pelo menos 1500 pessoas.

Não é difícil deduzir que a resistência na criação de outras linhas para o Parque Tecnológico reside no interesse empresarial, pois a distância é grande e os estudantes tem direito a viajarem pagando a metade da tarifa. A não criação de novas políticas públicas que atendam o interesse da população (trabalhadores e estudantes) demonstra uma inércia das autoridades competentes perante a um problema iminente prestes a explodir. Não basta mais horários de ônibus, cumprindo um itinerário deficiente. Precisamos aqui de uma visão moderna e eficiente, tanto quanto é a criação de um parque tecnológico na cidade de São José dos Campos. Contudo, a população, em especial a juventude, já não aceita mais que interesses privados se sobreponham ao interesse público. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), “Tarifação e financiamento do transporte público urbano”, publicado em julho de 2013, demonstra como a política adotada em São José dos Campos e na maioria das cidades do país é inadequada e ultrapassada: “Em muitos países há um sistema de financiamento do transporte público que, em linhas gerais, cobre entre 40% e 50% dos custos dos sistemas. Os modelos são composições entre recursos provenientes de tributos e recursos gerados pela cobrança do sistema, o que contrasta com as cidades brasileiras onde, via de regra, o custo total dos sistemas costuma ser coberto exclusivamente pelo pagamento das passagens”.

Acreditamos muito que os ventos de junho de 2013 não pararão de soprar. Não por vinte centavos, não por mais alguns ônibus, mas por direito. O precário transporte para o seu ponto futuro evidência que a política de transporte público em São José dos Campos precisa de uma radical reformulação.

 

Luiz Leduíno de Salles Neto, professor e diretor do campus São José dos Campos da Unifesp

Raquel Marcondes, aluna e Coordenadora de ensino do Centro acadêmico Ada King