Terça, 11 Novembro 2014 15:28

Rumo à multi, inter e transdisciplinaridade

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Mais do que um jargão em moda nas discussões sobre política universitária ou ciência e tecnologia, é inegável que há uma forte necessidade de interação entre áreas do conhecimento para solução de problemas e enfrentamento de novos desafios, seja na perspectiva multidisciplinar – na qual prevalece a soma de conhecimentos de diversas áreas; interdisciplinar – que privilegia o trabalho colaborativo entre profissionais de diferentes áreas, mantendo-se ainda a atuação disciplinar; ou transdisciplinar – que propõe a interação mais intensa e profunda, com significativa apropriação do conhecimento de uma área pela outra. Após uma fase de grande avanço do conhecimento em campos muito específicos, hoje nos deparamos com a necessidade de sair da zona de conforto e de nos encontrarmos com colegas de outras áreas para criar algo que seja, de fato, novo.

Para estimular importantes discussões teóricas e promover o intercâmbio de conhecimento, é essencial criar instrumentos de incentivo à colaboração e comunicação, presencial e virtual. Nesta edição, Entreteses apresenta um panorama dos centros e plataformas multiusuários já existentes nos diversos campi da Unifesp, além de propor um debate necessário sobre a filosofia que deve embasar o funcionamento dessas estruturas. A comunidade é convidada a participar desse esforço, por meio dos programas de pós-graduação.

As plataformas têm como intuito otimizar os escassos recursos existentes e criar uma filosofia de uso responsável e sustentável. Além disso, quando se colocam lado a lado pesquisadores de diversas áreas e campi, pode-se facilitar a interação e o surgimento de novas propostas de pesquisa e inovação. A discussão sobre as regras de funcionamento de tais plataformas toca em importantes aspectos da política universitária e em temas relativos à ciência, tecnologia e inovação, à meritocracia e aos mecanismos mais adequados para apoiar e incentivar jovens pesquisadores.

Mas não paramos por aí. Uma reportagem sobre saúde mental apresenta o trabalho de um grupo de pesquisadores do Campus Baixada Santista, preocupados com o resgate da dimensão do sujeito portador de transtorno mental, e ao mesmo tempo suscita polêmica quando questiona o papel do diagnóstico. A emoção também tem vez na ciência – principalmente quando se trata da paixão pelo que se faz e do empenho para tornar o sonho realidade. Acreditamos que este seja o segredo do sucesso em qualquer setor – o que também podemos inferir da entrevista com o professor Armando Milioni, ex-diretor do Campus São José dos Campos, e da leitura do perfil de Luiz Juliano Neto, professor titular do Departamento de Biofísica da Escola Paulista de Medicina.

A Unifesp evidencia ainda sua pluralidade – já destacada na seção Carta da Reitora –, trazendo temas na área de esportes e demonstrações de como a Física, a Química e a Medicina podem unir-se para propiciar melhores condições para o aleitamento materno e sintetizar substâncias com potencial para tratamento do câncer e da leishmaniose. Mostramos também como a Química pode contribuir para desenvolver sensores luminosos e transformar o bagaço de cana em energia elétrica renovável.

Conheça, nesta edição, mais um pouco do que se faz e pensa na Unifesp. Mas não se restrinja ao exemplar impresso. Encontre nas páginas virtuais da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa informações atualizadas sobre os programas de pós-graduação, visite seus sites específicos e estabeleça novos contatos e parcerias com nossos pesquisadores – sejam eles docentes, técnicos ou estudantes.

Leia, informe-se e colabore para a construção da verdadeira transdisciplinaridade em nossa universidade.

Publicado em Edição 03
Segunda, 02 Junho 2014 15:14

Editorial

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unifesp

Aprofundamos, nesta edição, o debate sobre os conceitos e políticas que embasam os programas de pós-graduação (PPG) e as pesquisas desenvolvidas na Unifesp. Esses assuntos são abordados sob diversas perspectivas, começando pela filosófica. 

A prática da interdisciplinaridade – tema central dos mais recentes fóruns nacionais e internacionais sobre o desenvolvimento científico – é discutida pela professora de Filosofia Olgária Mattos. A disciplinaridade e interdisciplinaridade não se opõem, afirma Olgária. Ao contrário, uma é a base da outra: a interdisciplinaridade ocorre quando o especialista, ao compreender a complexidade de seu conhecimento, estabelece relações com os demais campos do saber. 

Outro tema que desperta calorosos debates é a internacionalização. Foco de programas como o Ciência sem Fronteiras, constitui simultaneamente uma oportunidade de acelerar a inserção da ciência brasileira no cenário mundial e um desafio. Impõe-se, por isso, definir claramente seus objetivos e a metodologia mais adequada para atingi-los. Mas isto não basta – é necessário buscar apoio financeiro, estabelecer parcerias e coordenar as diversas iniciativas que nos são apresentadas.

Esta edição registra, ainda, diversos exemplos de pesquisas realizadas em nossos campi. Os responsáveis pelas Câmaras de Pós-Graduação e Pesquisa convidaram os docentes das respectivas unidades universitárias a compartilharem com nossa comunidade seus principais projetos, os quais foram submetidos a cuidadosa seleção – para fins de publicação – pelo Comitê Científico de Entreteses, formado pelos coordenadores dos comitês de áreas, pelos membros do comitê de pesquisa e por representantes das Pró-Reitorias de Graduação e Extensão. 

(Como nem sempre as agendas foram compatíveis, e respeitando os princípios de autoria, constam como integrantes do Comitê Científico neste número somente aqueles que contribuíram significativamente para sua concepção e que participaram da maioria das reuniões.)

Procuramos manter uma certa proporcionalidade e representatividade das pesquisas realizadas na Unifesp, destacando nosso potencial para a inter e transdisciplinaridade. Os desafios da educação são apresentados em matérias sobre o ensino da Matemática e sobre o fracasso escolar. Os estudos em áreas básicas da Medicina, que abrangem fungos, células-tronco, fármacos, genética e dosímetros, levam-nos a refletir sobre a aplicação prática da ciência e os caminhos do empreendedorismo. Para isso, precisamos ampliar as ações do Nupi - Nit (Núcleo de Propriedade Intelectual – Núcleo de Inovação Tecnológica), que a partir deste semestre se reaproxima física e conceitualmente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa.

Outros trabalhos aqui apresentados não se limitam à pós-graduação, desenvolvendo-se de modo integrado a projetos de extensão e de graduação. Eles nos permitem estabelecer a necessária integração entre os saberes científico e popular, assim como o essencial diálogo entre a universidade e os demais setores da sociedade – assunto que será tema do próximo número.

Dedicamos, por fim, a seção Perfil à geógrafa Bertha Becker (1930 – 2013), professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujos estudos sobre a Amazônia constituem uma referência necessária e mundialmente reconhecida. É também nessa região do país que efetuamos pesquisas sobre a saúde indígena, foco de outra matéria deste número.

Participe da construção de Entreteses. Envie sugestões sobre os assuntos que gostaria de ver incluídos nas próximas edições. Boa leitura!

Publicado em Edição 02
Segunda, 11 Novembro 2013 15:15

Editorial

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo

Com o crescimento da Unifesp – que aceitou o desafio de não mais se limitar à área de Ciências da Saúde para se tornar universidade plena – , surgiu a necessidade de um espaço no qual pessoas de diferentes áreas pudessem se conhecer, partilhando informações e experiências. Nesse contexto foi pensada a revista Entreteses.

Muito mais do que apenas um veículo para divulgação de informação, Entreteses pode ser vista como um ponto de encontro – como antigos cafés nos quais os cientistas e filósofos de séculos passados se encontravam para discutir ciência, filosofia, ética e política. Assim, esta revista pode abrir muitas possibilidades de interação e integração entre os estudantes, docentes e funcionários.

Para realizar plenamente seu potencial, Entreteses não poderá limitar-se à condição de veículo impresso. Por essa razão, lançaremos também sua versão virtual, com inserção nas redes sociais. Isso constituirá um grande desafio para todos nós, que direta ou indiretamente assumimos a tarefa de construí-la. Este é um desafio necessário, por vários motivos.

Além de permitir que a própria comunidade Unifesp se conheça, a revista será uma de nossas portas para o mundo externo. Ela facilitará o cumprimento de uma missão essencial da universidade pública: entregar à sociedade o produto dos recursos nela investidos.

De que adiantariam pesquisas de circulação restrita, cujas conclusões só seriam conhecidas por aqueles que estão nela envolvidos ou pelos especialistas da área? É essencial que o conhecimento científico, traduzido em linguagem acessível, seja transmitido à sociedade. Entretanto, partilhar o conhecimento não basta. Sua integração com outros saberes é fundamental para o progresso de qualquer área. Não é à toa que “interdisciplinaridade” tem surgido como tema central em discussões nas mais diversas áreas.

Ao aumentar a visibilidade da Unifesp, no âmbito doméstico e internacional, a revista também funcionará como meio facilitador para a criação de redes multicêntricas de pesquisa, de parcerias, visando à inovação e aplicação prática do conhecimento e do nosso processo de internacionalização.

Um dos grandes desafios apresentados à comunidade universitária na segunda década deste século é determinar a relevância das informações dentre os bilhões de dados disponíveis, em tempo real e na ponta dos dedos. Para isso, é preciso estabelecer parâmetros que permitam avaliar a qualidade, veracidade e importância de tais dados.

Entreteses se propõe também a isto: contribuir para o desenvolvimento do senso crítico e fazer pensar, que é sem dúvida a principal função da universidade. Acrescente-se que, em todos os aspectos de sua atuação – ensino, pesquisa e extensão –, a avaliação deve estar presente. Avaliação não é meramente um método, mas uma atitude de constante reflexão e questionamento sobre o que está sendo realizado. Isto permite gerar mais informação, possibilitando o surgimento de novos horizontes e a correção de rumos.

A revista pretende estimular os pesquisadores de diversas áreas a apresentarem os seus principais resultados, de forma crítica e contextualizada, abrindo as portas dos laboratórios e bibliotecas para a própria Unifesp e para a sociedade. Discutindo as entrelinhas da pesquisa, Entreteses se tornará também uma ferramenta de comunicação essencial para que debatamos não só os aspectos metodológicos, mas principalmente as facetas éticas e políticas da pesquisa no Brasil e no mundo.

A Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, em parceria com o Departamento de Comunicação Institucional e com a Reitoria da Unifesp, celebra o lançamento do primeiro número desta revista, dedicado de forma especial à pós-graduação.

Publicado em Edição 01
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