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Você tem sede de quê?
 Você tem fome de quê?

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

A canção Comida dos Titãs pode ser uma boa trilha sonora para acompanhar a leitura dessa edição. O encarte especial sobre água nos leva a refletir sobre essa substância essencial à vida, cada vez mais escassa e preciosa. Da saúde à geopolítica, questões fundamentais são abordadas por pesquisadores dos campi de Diadema, Baixada Santista e Osasco da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Por um lado, demonstram que a falta de planejamento e investimento em saneamento básico tem contribuído para agravar os problemas decorrentes da limitação dos recursos hídricos. Por outro, propõem soluções para controle da poluição das águas utilizando Biotecnologia. 

É inadmissível o fato de que com os conhecimentos científicos e tecnológicos de que dispomos, ainda tenhamos índices absurdos de desperdício na distribuição e de contaminação dos mananciais. É urgente uma ação de conscientização da população em geral e que a comunidade científica se una para discutir, propor soluções e exigir ações imediatas para garantir o direito de acesso à água com qualidade e em quantidade adequadas. A Unifesp assumiu sua obrigação, nesse sentido, com a proposta de criação do Painel Técnico-Acadêmico de Recursos Hídricos.

A alimentação escolar, também discutida na edição, aborda os desafios de valorização da agricultura familiar e do desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis, que são temas de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Alimentos, Nutrição e Saúde da Baixada Santista. Voltando à canção: “A gente não quer só comida... a gente quer inteiro e não pela metade”. Assim também pensava o nosso perfilado Otto de Gottlieb, professor tcheco naturalizado brasileiro, para quem “ciência é tudo ou nada”, que foi indicado três vezes ao Nobel. Aliás, a paixão pela ciência é uma das características comuns aos grandes cientistas – como pode ser comprovado na instigante entrevista com o prof. Esper Cavalheiro, neurocientista e pró-reitor de Planejamento da Unifesp, que compartilha sua visão arrojada de como deve ser a ciência do século XXI. 

Ao criticar o excesso de formalismo do sistema, Esper Cavalheiro incita a ousadia e propõe que em centros de estudos avançados sejam discutidas novas abordagens para a solução de velhos problemas como os decorrentes do envelhecimento, assim como a mobilidade urbana e violência, temas estes também abordados nesse número. Estudos conduzidos por pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM) mostram que traumas e a violência doméstica afetam a saúde mental da maioria das crianças que trabalham nas ruas e contribui para a perpetuação transgeracional. 

Abordagens interdisciplinares envolvendo pesquisadores do Campus São José dos Campos mostram que impressoras 3D podem ser úteis para o desenvolvimento de próteses para a área médica e que a energia liberada por moléculas de dodecanitrofullereno pode vir a ser empregada para matar microrganismos nocivos à saúde humana, inclusive o vírus da Aids. Outros pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), em parceria com colegas da Unicamp, desenvolveram um sistema computacional para uma logística integrada que pode diminuir o tempo de descarga dos navios, assim como o custo energético e o impacto ambiental. 

No campo das humanidades, dedicamos espaço à História e às Ciências Sociais. Em livro premiado com o Jabuti, a arquiteta Manoela Rufinoni resgata a memória do processo de instalação das primeiras fábricas em São Paulo e alerta para consequências da especulação imobiliária. Em sua dissertação de mestrado, Gabriela Muruá lança um novo olhar sobre as convergências e oposições entre as teorias do Imperialismo e da Dependência. 

Se você tem fome de conhecimento e curiosidade pela pesquisa que se faz na Unifesp, este número não vai frustrar sua expectativa. Boa leitura!