Segunda, 12 Dezembro 2016 14:44

Capital mundial das Ciências do Esporte

Campus Baixada Santista sediou a 3ª edição do Icsemis, congresso que contou com a participação de 46 países

Antonio Saturnino

Fotografia da apresentação da orquestra

Orquestra Sinfônica de Santos durante a abertura do Icsemis

Durante cinco dias, Santos foi a capital mundial das Ciências do Esporte. De 31 de agosto a 4 de setembro, a cidade sediou o Icsemis 2016 (sigla em inglês para Convenção Internacional de Ciência, Educação e Medicina no Esporte), congresso que acontece uma vez a cada quatro anos, sempre no país-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Em 2016, a organização local foi realizada pela Unifesp.

Foram mais de 1.400 trabalhos apresentados, entre palestras, simpósios e apresentação de pôsteres. O congresso recebeu cerca de 2 mil inscritos, mais de 60% dos quais eram provenientes de 46 países estrangeiros. Os números superam as duas primeiras edições, realizadas em Guangzhou, na China (2008), e em Glasgow, no Reino Unido (2012). 

O tema do congresso, Dizendo Sim à Diversidade no Esporte, destaca a importância de que as diferenças de gênero, raça, cultura e religião sejam respeitadas, de forma que o esporte seja um fator de união dos povos e de respeito às pluralidades.

Entre os estudos apresentados, houve pesquisas indicando o fator genético para o desempenho no esporte, a prática de atividade física como forma de prevenir doenças e diminuir os gastos com saúde pública, o legado dos jogos olímpicos e paralímpicos sob diversos pontos de vista, o impacto do esporte na saúde mental e o desenvolvimento do esporte paralímpico.

A Unifesp foi escolhida para sediar o evento pelo fato de possuir um curso de Educação Física consolidado, aliado à relevância nacional do seu curso de Medicina e da sua produção de pesquisas relacionadas ao esporte. A instituição mobilizou os corpos docente e discente para a realização do congresso. Cerca de 50 estudantes de graduação e pós-graduação trabalharam como voluntários e quase 60 professores fizeram parte dos comitês de organização, mediaram debates e/ou palestraram.

A organização local contou com representantes de outras universidades públicas, entre as quais estavam a Unicamp, USP, Unesp e UFMG, além do Celafiscs. O evento teve a parceria da prefeitura de Santos, do Sesc e do Santos Futebol Clube, e contou com apoio do Hospital Albert Einstein, Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, UFABC, UFSCar, UFCSPA, da Fapesp e do Ministério do Esporte.

O Comitê Internacional de Organização foi composto pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), pelo Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE) e pela Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS).

Foto de painéis

Exposição sobre a história dos Jogos Paralímpicos

Foto de publico

Público prestigia a apresentação de estudos científicos relacionados ao esporte

Um homem cadeirante faz uma apresentação
Uma pesquisadora fazendo apresentação

Pesquisadores apresentam seus estudos durante a terceira edição do congresso

Legado olímpico, jogos para o povo e diversidade no esporte

A pesquisadora Marianne Meier, do projeto Children Win, apresentou um estudo sobre o impacto de megaeventos esportivos nos países ou cidades-sede. Sua pesquisa também aborda o tema da aceitação das diversidades no esporte. Para ela, os eventos podem trazer benefícios aos locais onde são realizados, porém deve haver uma conversa muito transparente com a população, desde o momento em que o país decide se candidatar às confederações. “Em Hamburgo, por exemplo, houve um referendo e o povo disse não à candidatura para sediar a Olimpíada. Aqui no Brasil não houve consulta pública. Existe uma tendência de que esses grandes eventos sejam sediados em países onde a democracia ainda não é bem desenvolvida”, afirma.

Marianne afirma que os Jogos Olímpicos devem ser feitos para o povo e não focar apenas em lucros. “Os megaeventos não devem ferir os direitos das pessoas locais. O prefeito de Rio de Janeiro e o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) violaram esses direitos durante a organização dos jogos Rio 2016. O Brasil vive uma crise econômica e o dinheiro investido em arenas e estádios está fazendo falta na saúde, nas escolas etc.” Os jogos, segundo ela, são concebidos como “um evento da elite para as elites. Não é pensado para o povo e, principalmente, para as pessoas pobres. Eles falam sobre o espírito olímpico, união dos povos, paz e dignidade, mas isso não está acontecendo”.

O foco agora passa para a Rússia, que receberá a próxima Copa do Mundo, e o ponto central do estudo será a homofobia. De acordo com o estatuto da Fifa, a orientação sexual de qualquer pessoa não deve ser discriminada e no país a lei é homofóbica. 

De acordo com a pesquisadora, o governo russo diz que os gays serão bem recebidos, desde que ‘não pratiquem a homossexualidade’ no país. “O argumento é que eles querem proteger as crianças da homossexualidade, mas eles fazem o oposto”, afirma. “Os jovens devem ter o direito de ser eles mesmos, independente da sexualidade. Se você não pode falar com a criança sobre homossexualidade, você fere o direito dela de expressar os sentimentos”.

Publicado em Edição 07
Segunda, 24 Outubro 2016 13:26

Capital mundial das Ciências do Esporte

Campus Baixada Santista sediou a 3ª edição de um congresso que contou com a participação de 46 países

Antonio Saturnino

Foto do congresso sendo realizado na baixada santista

Durante cinco dias, Santos foi a capital mundial das Ciências do Esporte. De 31 de agosto a 4 de setembro a cidade sediou a terceira edição do Icsemis (sigla em inglês para Convenção Internacional de Ciência, Educação e Medicina no Esporte), congresso que acontece uma vez a cada quatro anos, sempre no país-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, cuja organização local foi realizada pela Unifesp.

Foram mais 1.400 trabalhos apresentados, entre palestras, simpósios e apresentação de pôsteres. Ao todo o congresso recebeu cerca de 2 mil inscritos, sendo que mais de 60% desse total eram estrangeiros, provenientes de 46 países diferentes. Os números superam as duas primeiras edições do evento, realizadas em Guangzhou, na China (2008), e em Glasgow, no Reino Unido (2012). “Quando o Brasil foi anunciado como país-sede da Olimpíada e Paralimpíada, consequentemente, sabíamos que o Icsemis seria realizado aqui e vimos como uma grande oportunidade de nos aproximarmos dos pesquisadores da América Latina”, afirmou Detlef Dumon, diretor executivo do Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE) e membro do Comitê Internacional de Organização.

O tema do congresso neste ano foi Dizendo Sim à Diversidade no Esporte, mostrando a importância de que a diferença de gênero, raça, cultura e religião sejam respeitadas, de forma que o esporte seja um fator de união dos povos e de respeito às pluralidades. “Se você olhar para as federações internacionais, há bem poucas lideradas por mulheres. Nunca tivemos uma mulher presidente do COI ou da Fifa. Há inclusive bem poucas técnicas de times de futebol, inclusive em times femininos. Ainda há muito trabalho a ser feito. Falta representatividade de homossexuais no esporte, por exemplo. No futebol é praticamente inaceitável, mas sabemos que existem. O tema precisa ser debatido”, completou Dumon.

Entre os estudos apresentados, houve pesquisas indicando o fator genético para o desempenho no esporte, a prática de atividade física como forma de prevenir doenças e diminuir os gastos com saúde pública, o legado dos jogos olímpicos e paralímpicos sob diversos pontos de vista, o impacto do esporte na saúde mental, o desenvolvimento do esporte paralímpico, reabilitação e horários em que nosso organismo tem melhor desempenho na prática de atividade física.

A Unifesp foi escolhida para sediar o evento pelo fato de possuir um curso de Educação Física consolidado, aliado à relevância nacional do seu curso de Medicina e da produção de pesquisas relacionadas ao esporte. Em 2014 a instituição, bem como outras universidades públicas do Estado de São Paulo, foi convidada pelo Ministério do Esporte para conhecer o edital de seleção para sediar o Icsemis 2016. O projeto da Unifesp foi escolhido por destacar o potencial acadêmico-científico dos profissionais da área do Esporte, Educação e Saúde. A cidade de Santos foi escolhida não por acaso.  Além de sua beleza natural, o município tem história conhecida na área de esportes e abriga o curso de Educação Física da Unifesp.

A instituição mobilizou tanto o corpo docente quanto o discente na realização do congresso. Cerca de 50 alunos da graduação e pós-graduação trabalharam como voluntários no evento. Além disso, quase 60 professores fizeram parte dos comitês de organização, mediaram debates e/ou palestraram durante o Icsemis.

Para a bióloga Regina Spadari, professora do Campus Baixada Santista e vice-presidente do comitê local de organização, a realização da convenção contribuirá de forma muito positiva para o esporte no Brasil e para o curso de Educação Física da Unifesp. “O programa científico incluiu dez palestras de pesquisadores renomados, 112 simpósios, 1.956 apresentações orais e pôsteres. Além disso, um rico programa cultural foi oferecido aos participantes, que incluiu atividades esportivas em uma tenda montada pelo Sesc na praia do Gonzaga, apresentações musicais nos intervalos das atividades científicas, divulgando nossa cultura e nossa música em seus diferentes ritmos e expressões. Foi um período muito rico de troca de conhecimento que nos possibilitou mostrar nossa produção científica e nossas manifestações culturais”, afirmou.

A organização local contou com representantes de outras universidades públicas, entre as quais estão a Unicamp, USP, Unesp e UFMG, além do Celafiscs. O evento teve a parceria da prefeitura de Santos, do Sesc e do Santos Futebol Clube, e com apoio do Hospital Israelita Albert Einstein, Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, UFABC, UFSCar, UFCSPA, da Fapesp e do Ministério do Esporte.

O Comitê Internacional de Organização, composto pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), pelo Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE) e pela Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS), ressaltou o sucesso da terceira edição do evento. Durante o encerramento, o presidente do ICSSPE, Uri Schaefer, afirmou: “O país mostrou suas habilidades em organizar grandes eventos e foi uma oportunidade única para aprendermos mais sobre os conhecimentos científicos e atividades esportivas desse povo”. Ele continuou: “Acreditamos que o esporte é um projeto de excelência e agradecemos seus esforços e trabalho árduo para a realização do Icsemis 2016”.

 

entrementes 14 2016  Sumário do número 14

Publicado em Edição 14