Prêmio Almirante Álvaro Alberto contempla pesquisadores em ciência e tecnologia que se destacam no país

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Sexta, 17 Janeiro 2020 18:04

Helena Nader é premiada pela SBPC

Professora titular da Unifesp recebeu o 1.º prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher

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Docente da Unifesp integra a Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência

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Honraria é destinada a personalidades que tenham contribuído para o desenvolvimento da educação

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A Academia Brasileira de Ciências (ABC) homenageou a docente da Unifesp por sua firme posição em defesa da ciência nacional

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Ambiente reestruturado contará com uma nova enfermaria e duas salas para simulação clínica
 
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Terça, 08 Novembro 2016 08:11

Cinquenta anos de história

Curso comemora conquistas acumuladas no desenvolvimento da pesquisa e na formação de cientistas

Da Redação
Com a colaboração de Gabriela Tornich e Marianna Rosalles

Foto antiga em preto e branco, mostra um grupo de 13 pessoas, entre homens e mulheres

Na foto acima, figuram – entre outros integrantes – os professores: A. C. M. Paiva, Eline Prado, J. Ribeiro do Valle e J. Leal Prado (primeira fileira); Catharina Brandi e Zuleika P. Ribeiro do Valle (segunda fileira)

Em 2016, o curso de Ciências Biomédicas da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo completou 50 anos de existência, iniciando-se suas comemorações em junho com um grande evento no teatro Marcos Lindenberg. Docentes, discentes, servidores e interessados reuniram-se com o objetivo de refletir sobre a criação e evolução do curso, cuja história reproduz a crescente inserção da EPM no contexto social e econômico do país.

Há meio século, no período pós-guerra, a ciência repercutiu um momento de profundas transformações no Brasil e no mundo. O desenvolvimento da Genética e da Biologia molecular redirecionou o rumo da pesquisa e abriu debates. A formação superior nessas áreas foi reformulada, de modo a atualizar e acompanhar continuamente as novas descobertas científicas e seus desdobramentos. Nesse quadro, foi criado em março de 1966 o curso de Ciências Biomédicas, no Campus São Paulo, pelos professores José Leal Prado e José Ribeiro do Valle, que contaram com o apoio de Nylceo de Castro e Antonio Cechelli de Mattos Paiva, titulares de Histologia e de Biofísica.

Marilia de Arruda Cardoso Smith, hoje titular de Genética do Departamento de Morfologia da EPM, ingressou na primeira turma e recorda-se de que, naquele momento, assistir às aulas desses mestres e pesquisadores – entusiasmados com o início das atividades – era um verdadeiro privilégio. Convém enfatizar que as primeiras turmas eram pequenas – formadas por dez estudantes –, o que possibilitava um convívio intenso e uma relação de proximidade entre docentes e alunos.

Na época, o objetivo do curso, que agregava novas disciplinas para a EPM – entre elas, Matemática, Física, Química Orgânica e Analítica, Genética e Evolução –, era desenvolver a pesquisa e a docência nas chamadas “cadeiras básicas” da Medicina, de acordo com o professor Leal Prado. Marilia comenta a importância da abertura desse novo programa de formação: “A Escola Paulista de Medicina expandiu-se significativamente na área básica, com repercussões inéditas na área clínica.”

Apesar de sua motivação inicial estar ligada fundamentalmente à pesquisa e à docência, a graduação em Ciências Biomédicas ampliou-se, anos depois, para o campo das análises clínicas, em razão da demanda dos alunos e das novas oportunidades surgidas no mercado de trabalho.

Quando questionada sobre os grandes marcos do curso, Marilia cita as várias contribuições de alunos graduados, que ocupam postos de liderança científica ou funções de destaque, dignas de reconhecimento profissional, e especialmente a posse de Helena Nader na presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Docente titular do Departamento de Bioquímica da EPM, Helena Nader foi a primeira biomédica a presidir essa entidade. 

Silvia Ihara, professora associada do Departamento de Patologia, até recentemente coordenadora da área biomédica, lembra a acolhida que recebeu quando ingressou na quarta turma do curso. Diz que escolheu a Biomedicina em virtude de sua vocação para a pesquisa laboratorial e que, agora, avalia ter escolhido o lugar certo para estudar. O curso manteve a ênfase tradicional na docência e na pesquisa, mas modernizou-se em decorrência da demanda apresentada pelos alunos interessados em atuar também no mercado laboratorial.

Formatura da primeira turma, três homens e três mulheres vestidos de beca

Formatura da 1ª turma de graduados em Ciências Biomédicas pela EPM (1969)

EntreTeses7 p52 professores

Da esquerda para a direita: professores J. Leal Prado (fundador), Nylceo M. de Castro (cofundador), A.C. M. Paiva (cofundador), J.C. Prates (docente e homenageado)

Participação discente

Cinco décadas após sua fundação, o curso ocupa o terceiro lugar em qualidade de ensino entre 204 instituições avaliadas pelo Ranking Universitário Folha (RUF 2016), as quais oferecem essa modalidade de formação profissional.

Por outro lado, a intensa mobilização do corpo discente em torno da prestação de serviços à comunidade propicia, em parte, o atendimento à função social que cabe à universidade exercer. Assim, muitos estudantes dedicam seu tempo livre a atividades voluntárias, apesar de cumprirem uma densa grade curricular, em período integral. Um exemplo é o trabalho que desempenham no Cursinho Pré-Vestibular Jeannine Aboulafia (Cuja), gerido por estudantes de diversas áreas do Campus São Paulo e que oferece gratuitamente aos vestibulandos mais de 160 vagas por ano. São também organizadas oficinas e visitas monitoradas para escolas públicas e particulares, com o intuito de apresentar aos secundaristas a carreira de biomédico e o ambiente universitário.

Um marco recente para a comunidade estudantil foi a internacionalização, realizada por meio do programa Ciência sem Fronteiras, permitindo que os interessados participassem de intercâmbios e frequentassem aulas em diferentes universidades do mundo, fato inédito na história do curso. Silvia ressalta que os bolsistas sempre causam boa impressão por onde passam: “Os alunos retornam com cartas de recomendação elogiosas e com boas notas. Assim, percebemos que não estamos em descompasso com as universidades estrangeiras.”

Após 50 anos, a graduação em Ciências Biológicas (modalidade médica) da EPM consolida sua trajetória de excelência, na qual a pesquisa inscreve-se como um marco tradicional, além de anualmente prover a academia e o mercado de trabalho com docentes e pesquisadores qualificados.

Foto do evento, mostra o palco com uma apresentação
Ftoo de Helena Nader

Uma questão de alma

Discurso proferido por Helena Bonciani Nader durante a realização do evento na Unifesp

Estamos aqui reunidos para celebrar nesta data o jubileu de ouro da criação do curso de Ciências Biomédicas, inaugurado de forma pioneira pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à época Escola Paulista de Medicina (EPM).

Sinto-me duplamente honrada por poder proferir essas palavras, pois sou ex-graduanda da 2ª turma do curso biomédico da nossa EPM e, hoje, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que foi o espaço onde ocorreram as primeiras discussões que deram origem à proposta.

A ideia da criação de um curso com o perfil de Ciências Biomédicas, graduação e pós-graduação, foi inicialmente apresentada pelo Prof. Dr. José Leal Prado e discutida em um simpósio realizado durante a reunião da SBPC em 10 de novembro de 1950, na cidade de Curitiba. Infelizmente, em uma reunião posterior, no dia 7 de dezembro, com a participação de professores da Escola Paulista, da Universidade de São Paulo, de pesquisadores do Instituto Butantan e Instituto Biológico, a ideia considerada interessante e relevante foi abandonada, tendo em vista que a EPM era uma escola médica particular e que atravessava várias dificuldades financeiras.

No entanto, os professores da EPM, entre eles os professores Leal e Ribeiro do Valle, que já lideravam a pesquisa nas áreas básicas da Medicina, não abandonaram o projeto, mas intensificaram seus esforços no sentido de garantir formação adequada aos que trabalhavam ou buscavam oportunidades complementares em seus laboratórios.

A federalização da EPM ocorreu em 1956, transformando a instituição em uma faculdade pública. Em razão das pesquisas desenvolvidas pela escola, em 1964, a Capes, em associação com a Fundação Ford, reconheceu os departamentos de Bioquímica e Farmacologia e o de Microbiologia e Imunologia da EPM como Centros de Treinamento Avançado para pós-graduação. O ambiente científico no Brasil na década de 1960 era bastante modesto. Existiam somente 22 universidades federais, e em São Paulo, as únicas universidades públicas eram a USP e a Unicamp, além de várias escolas isoladas, como o ITA e institutos e faculdades que, reunidos em 1976, dariam origem à Unesp. As pesquisas nas áreas biomédicas contavam também com o Instituto Butantan, fundado em 1901, e o Instituto Biológico, que data de 1927 e que, devemos lembrar, também foi o palco para a criação da SBPC, proposta pelo nosso querido Maurício Rocha e Silva.

A fundação da SBPC ocorreu em 8 de julho de 1948 na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), em reunião convocada por Paulo Sawaya, José Reis, e, claro, Maurício Rocha e Silva, o idealizador. O cenário científico biomédico da época contava ainda com a Fundação Oswaldo Cruz, antigo Instituto Soroterápico Federal, criado em 1900.

Trago estes dados, com datas e origens dessas instituições, porque quero ressaltar um aspecto que me parece bastante interessante: a maioria desses movimentos foram liderados por médicos voltados à pesquisa biológica e biomédica, que entendiam a necessidade de incentivar a ciência e a tecnologia para o desenvolvimento do país. Assim, relembro também que a criação do curso de Ciências Biomédicas foi aprovada por unanimidade pela Congregação da EPM, constituída – ela também - exclusivamente por profissionais médicos.

Analisar a história do curso, olhando, em especial para sua criação em 1966, também nos leva a relembrar o ambiente político, em pleno início da longa ditadura militar que nosso país viveu. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, professores da nossa EPM foram perseguidos e cassados, junto a tantos outros pesquisadores, das mais variadas instituições do país, que não aceitaram a ideologia propagada pelo regime. Ao mesmo tempo, infelizmente, tivemos professores que pactuaram com o governo, colaborando tanto com o cerceamento da nossa liberdade e atividade política, quanto com as violentas punições a quem ousava desafiar a ordem vigente.

Tomo a liberdade de trazer a minha experiência enquanto estudante, dessa 2ª turma. Nós tínhamos professores e colegas infiltrados pelo regime que fiscalizavam e emitiam relatórios sobre as nossas atividades; delatavam e denunciavam ações de resistência aos órgãos da repressão. Muitos colegas –esses sim, estudantes de verdade – foram presos e barbaramente torturados, alguns nunca retornaram. Enquanto a ditadura fazia recrudescer a censura, o pensamento acadêmico alçava voo e fazia-se ouvir, pelo menos dentro das próprias instituições. Passeatas, manifestações, exílios, prisões e torturas nos lembram do velho lema: “Conhecimento é poder”. Esse poder era perigoso para o regime e, portanto, deveria ser eliminado. Nesse cenário de oposições, enquanto alguns colaboravam com o sistema, outros resistiam. Alguns na linha de frente, em ações de enfrentamento, outros no próprio fazer educativo, tentando sustentar e garantir a formação dos estudantes e a produção científica baseadas em princípios éticos e democráticos.

Por outro lado, esse mesmo regime ditatorial, em 1968, implementou uma reforma universitária determinante para o desenvolvimento do ensino superior e da ciência no país. Entre as ações propostas na reforma, ressalto a abolição da cátedra vitalícia, que impedia a ascensão de novas lideranças, o incentivo para cooperação entre disciplinas, a flexibilização curricular e o estímulo à pós-graduação.

Então, diante desses cenários – político, científico e acadêmico – o curso de Ciências Biomédicas iniciou, de forma pioneira, sua trajetória para formar profissionais capazes de exercer a docência e a pesquisa nas diferentes disciplinas básicas das áreas da saúde.

Sobre a importância do curso nesse contexto, destaco as palavras do professor Leal, publicadas na revista Ciência e Cultura, em 1966: “Uma instituição ativa, como a Escola Paulista de Medicina, sente-se muito limitada dentro da estrutura de um instituto isolado de ensino superior. A criação do curso de Ciências Biomédicas tornará mais amplo seu campo de atividade cultural e mais importante sua contribuição social. Se tivermos êxito nessa iniciativa, estaremos armazenando uma experiência valiosa, ao mesmo tempo que teremos maiores possibilidades para fazer uma segunda tentativa no caminho da universidade federal. Só o futuro dirá a melhor conduta a seguir”.

Ao longo desses 50 anos, formamos profissionais que têm sólido conhecimento das disciplinas básicas dentro das especialidades da área biomédica, capacidade de autoaprendizagem, espírito crítico, conhecimento e grande familiaridade com o método científico e capacidade de formular e desenvolver planos de pesquisa e relatar resultados e conhecimentos com clareza.

Os egressos do nosso curso são lideranças em diferentes áreas do conhecimento, ocupando posições de destaque em atividades de ensino, pesquisa e extensão no país e no exterior.

Muitos são membros da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), presidentes de sociedades científicas, membros e coordenadores de comitês assessores do CNPq, da Capes, da Finep e de fundações de apoio à pesquisa, diretores, pró-reitores, conferencistas convidados e organizadores dos principais congressos nacionais e internacionais, entre tantas outras ações. Esses egressos também desempenham funções importantes na indústria e em outras atividades de tecnologia e inovação. A existência do curso criou uma ambiência de alta relevância científica e tecnológica nas áreas básicas e profissionalizantes da saúde, impactando diretamente a criação e a qualidade dos programas de pós-graduação da EPM. Os primeiros foram os programas de pós-graduação em Biologia Molecular, em 1970, e o de Microbiologia e Imunologia, em 1971, seguidos de uma grande expansão para diferentes áreas, o que tornou a EPM uma referência na oferta e qualidade da pós-graduação nacional.

Em 1994, diante da intensa produção científica e da qualidade do ensino, a EPM foi transformada em universidade temática da área da saúde e que hoje figura entre as melhores instituições do país. Segundo recente levantamento do Times Higher Education (THE), mesmo após nossa gigantesca expansão para todas as áreas do conhecimento, em seis diferentes campi no Estado de São Paulo, iniciada em 2003, seguimos em destaque, ocupando a 6ª posição entre as melhores universidades da América Latina.

Outras instituições públicas, federais e estaduais, investiram na criação de cursos biomédicos tomando a nossa proposta como referência, ressaltando mais uma vez nossa contribuição para o desenvolvimento da educação superior e da ciência no país. Por outro lado, é preciso dizer que algumas instituições de ensino superior privadas viram no curso um nicho para formar profissionais voltados ao trabalho com análises clínicas, em hospitais e laboratórios, objetivo totalmente desvinculado da proposta idealizada na nossa universidade.

Entre outras muitas características e destaques do nosso curso biomédico, ressalto a contribuição na produção científica indexada internacional. Quando o curso foi criado, o Brasil publicava anualmente cerca de cem artigos e hoje esse número chega a 40 mil. Com certeza a graduação e a pós-graduação biomédica, como idealizadas pelo nosso fundador, contribuíram para esse crescimento exponencial.

Ressalto também o papel fundamental que nossos egressos tiveram na regulamentação das profissões de biomédico e biólogo. Conquistas importantes que garantiram a especificidade do trabalho desses profissionais.

E ainda trago os nossos estudantes, que, entre outras atividades, entendendo o papel da extensão universitária, criaram o Cursinho Pré-Vestibular Jeaninne Aboulafia (Cuja/Unifesp), que há 14 anos prepara estudantes para inserção no ambiente acadêmico.

Poderia ainda elencar muitos outros pontos para lembrar a importância e a qualidade da nossa proposta formativa, mas optei por trazer o que, a meu ver, nos diferenciou e segue ainda hoje nos diferenciando.

Nós tínhamos e temos os melhores professores dentro da sala de aula, com capacidade para ensinar;
Nós tínhamos e temos os melhores professores no relacionamento com os alunos, com capacidade para orientar;
Nós tínhamos e temos os melhores pesquisadores nas suas áreas de atuação;
Nós tínhamos e temos estudantes, funcionários e professores, ou seja, a comunidade mais criativa diante das adversidades;
Nós tínhamos e temos aqueles que lideraram mudanças importantes na trajetória da ciência nacional;
Nós tínhamos e temos aqueles estudantes, funcionários e professores que acreditam profundamente no país e não perdem a capacidade de sonhar.
Por fim, acredito que o espírito arrojado e inovador de Leal Prado e Ribeiro do Valle segue presente. Quando iniciaram a pesquisa nos porões do Hospital São Paulo, esses mestres lançaram as bases para nosso curso de graduação e para a universidade que somos hoje.

Eu tenho até hoje na memória o discurso proferido pelo professor Leal na Palavra aos Pais, em nossa formatura. Ele disse: “Dos vossos filhos vamos querer quase tudo, mas sobretudo a alma! ”. Gostaria muito que Leal estivesse aqui presente para comemorar conosco esses 50 anos e visse que demos muito, inclusive, as nossas almas.

Em tempos novamente difíceis para o nosso país, encerro emprestando as palavras de Manoel de Barros no poema O Menino que Carregava Água na Peneira, que diz:

“Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos”

Acredito que nós, estudantes, funcionários, professores e egressos do curso de Ciências Biomédicas, assim como os poetas, enchemos os vazios com as nossas peraltagens e alguns vão nos amar pelos nossos despropósitos.
Obrigada.

Publicado em Edição 07

Docente da Unifesp e presidente da SBPC reivindicou investimentos em educação e CT&I

Publicado em Notícias Arquivadas
Segunda, 11 Novembro 2013 15:01

Helena Nader

“Não há limites para o que podemos fazer”, ensina a professora titular da Unifesp que tem dedicado a vida à ciência, à pesquisa e ao Brasil

Flavia Kassinoff

Reeleita, em 2013, à presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC); professora Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pesquisadora nível 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e condecorada com a Ordem Nacional do Mérito Científico. A professora Helena Bonciani Nader acumula prêmios e reconhecimento por toda uma vida dedicada à pesquisa e à ciência.

EntreTeses 01 p25 HelenaNader

Sua intensa carreira acadêmica ganhou impulso em 1967 quando, ao voltar dos Estados Unidos – onde cursou o último ano do antigo colegial (atual ensino médio) –, ingressou no curso de Ciências Biológica/modalidade médica na Unifesp. “Voltei ao Brasil e entrei nessa instituição, onde fui contaminada irreversivelmente pelo vírus da pesquisa e da ciência. Não há vacina, nem medicação”, conta Helena.

Quatro anos depois, já graduada, começou a se envolver com a pesquisa para a pós-graduação. Conheceu, então, seu professor e orientador, Carl Von Peter Dietrich, que posteriormente se tornaria seu marido, um companheiro de vida e de profissão. Os dois tiveram uma filha, Júlia, que atualmente trabalha com pesquisa na área de educação.

Professora titular da Unifesp desde 1989, Helena mantém com a universidade uma relação que combina, de forma intensa, compromisso profissional e afeto. O vínculo é tão forte que provoca o ciúme da filha Júlia, para quem a Escola Paulista de Medicina ocupa o lugar de irmã mais velha.

Na avaliação da própria professora, a vida dedicada à pesquisa cobrou seu preço, em termos de realizações pessoais: “Deixei de tirar algumas férias. Deixei de fazer algumas viagens. Mas se pudesse fazer tudo de novo, faria sem pestanejar. Eu não me arrependo.”

Um traço característico de sua carreira foi, desde os anos de juventude, a rejeição à ideia de que há um muro, uma barreira entre ciência e sociedade. A militância política, sempre em defesa do desenvolvimento da ciência e da tecnologia na perspectiva dos interesses nacionais, levou-a a filiar-se à SBPC, em 1969. Na condição de associada à entidade, participou da resistência à ditadura militar, implantada no país em 1964. Atualmente, como presidente da sociedade, continua firme em suas propostas e defende com afinco a ciência e a educação de qualidade.

Durante a vida, Helena teve várias oportunidades de estudar e realizar pesquisas fora do país. Sempre optou por permanecer no Brasil, e hoje se orgulha disso. “Talvez lá fora eu fosse mais uma. Aqui eu pude ajudar a construir algo significativo.”

Com a agenda cheia de compromissos – com a academia e com a presidência da SBPC –, a professora afirma ser hoje difícil encontrar tempo para desenvolver atividades criativas na vida pessoal, das quais tanto gosta. Isso inclui a culinária, atividade que pratica sem seguir “receitinhas”, pois gosta de inovar. “A cozinha é um grande laboratório. Adoro experimentar novos temperos, ver no que dá.” Antes cozinhava com mais frequência, “quando Pedro (como chamava Dietrich) era vivo.”

Com uma carreira invejável e as posições importantíssimas que ocupa, não perde a simplicidade e a honestidade nas falas e no modo de ser. Diz que chegou aonde chegou por ser privilegiada pela família e pelos professores que teve, e sempre divide o mérito de suas conquistas com eles. “Meus pais me ensinaram que devemos buscar tudo que almejamos com ética e que não há limites para o que nós podemos fazer. E isso é verdade, nós é que colocamos nosso próprio limite”, conclui Helena.

EntreTeses 01 p26 HelenaNader

Entreteses - Qual a sua avaliação sobre a pesquisa no Brasil hoje e quais foram os principais avanços nesse setor?
Helena Nader - A pesquisa no Brasil avançou muito. Na década de 70, nós éramos realmente periféricos. Havia pouca ciência, embora de boa qualidade, porém em um número baixo. Hoje, nós estamos, segundo informação que tive, na 14ª posição no ranking mundial de produção científica. Estávamos em 13ª, porém foram computados alguns resumos de congresso, e a Holanda nos ultrapassou.  Mas, em termos de ranking mundial, estamos muito bem. É importante situar que a pesquisa institucionalizada no Brasil é recente. Ela começa na universidade, com a carreira docente deixando de ser algo esporádico e quando se cria a dedicação exclusiva. Isso faz diferença no impacto da ciência. A nossa ciência tem início no final do século XIX, em institutos, quando não havia universidades. A primeira é da década de 20 e, portanto, essa instituição não tem nem cem anos. Se compararmos com a Europa, onde as instituições de ensino mais novas têm quinhentos anos, onde há universidades de quase mil anos de existência, é fantástico ver aonde chegamos. Eu vejo a pesquisa no Brasil crescendo para patamares cada vez melhores. A qualidade da produção científica pode ser aferida pelo número de citações e pelo impacto das revistas onde os trabalhos são publicados. Então, de 70 para cá houve uma evolução, não só no número, mas também nos periódicos em que o Brasil passa a publicar. Isso prova que a ciência feita aqui tem mérito, tem qualidade. Agora, o Brasil “corre atrás” porque o resto do mundo não está parado. A China está crescendo bastante em produção científica e optou por construir universidades internacionais, algumas fortemente centradas em produção de ciência. Esse país tem uma vantagem com relação a nós porque investiu pesado em educação básica.  Outra coisa é que os chineses hoje falam inglês. Nós ainda possuímos uma dificuldade nessa língua. Mas se o Brasil quiser, e isso é uma opção de nação, insisto nisso, ocupar o ranking mundial de ciência, fazer parte de um clube restrito, tem que passar a investir nisso. E também tem que mudar a legislação, porque hoje o maior gargalo para o pesquisador brasileiro é a lei vigente.

E. - Como presidente da SBPC, a senhora defende a proposta de destinação de parte dos royalties do petróleo para ciência e tecnologia.  O projeto de lei aprovado pela presidente Dilma destina a maior parte dos royalties para educação. Como nós sabemos, educação e ciência são duas áreas complementares, mas no momento atual do país qual área carece de maior investimento?
H. N. - As duas. Educação básica não é só investimento financeiro, mas também o acompanhamento de um projeto real por parte do governo. A área da educação básica é um gargalo total. No Brasil aconteceu o seguinte: na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, começou-se a matricular obrigatoriamente toda criança na escola. Esse projeto iniciou-se naquela época com um ministro que propôs a descentralização de verbas para educação básica. Porém, com isso ele deixou a universidade à míngua. Foi péssimo. Então, não adianta apenas investir em um setor para depois investir em outro. É uma cadeia de investimentos. A proposta da SBPC, com relação aos royalties do petróleo, é dedicar 70% ao ensino básico, 20% para ao ensino universitário e 10% à ciência e tecnologia.  O governo mudou e colocou 75% para a educação e 25% para a saúde. Então, o que estamos sugerindo é que destes 75% se faça essa repartição. Porque sem ciência e tecnologia não há inovação. O governo do presidente Lula e o da presidente Dilma primam pela inclusão. A expansão do Bolsa Família foi dramática, no sentido de trazer uma população que não tinha capacidade de compra para a sociedade de consumo.  Isso significa que é preciso ter produto para essas pessoas. E esse produto, essa tecnologia, só será gerado com a ciência, ou continuaremos importando pacotes. O Brasil precisa decidir o que quer. Se quer de fato pautar a economia mundial, precisa fazer ciência. Porque sem ciência, não há tecnologia nem inovação.

E. - O que falta para o país avançar nesse sentido?
H. N. - São muitas coisas. Faltam leis, não no sentido de banalizar a legislação e a fiscalização da ciência. A fiscalização é muito importante, porém, não pode travar todo o resto do processo. Veja o caso da Unifesp: tivemos que devolver dinheiro à Finep e à Capes, pois a legislação inviabilizou o gasto. Então, uma instituição que faz ciência de qualidade e precisa devolver recursos,  porque a legislação representou uma barreira, está no caminho errado.  Temos uma legislação muito arcaica. A lei nº 8.666 (lei das licitações) não é adequada para quem faz pesquisa. O pregão pode até servir para comprar caneta, papel, mas não serve para comprar reagente para pesquisa, por exemplo. São esses impasses que estamos tentando mostrar ao Ministério Público e à Procuradoria Geral da União. Estamos conseguindo dialogar. Outro debate do qual venho participando bastante refere-se à instituição do RDC (regime diferenciado de contratações) para ciência e tecnologia, como foi feito para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Se foi feito para construir estádios, por que não pode ser feito para educação e ciência? Agora, na minha visão (tenho insistido nesse aspecto e talvez seja por isso que cheguei a esse cargo na SBPC) educação e C&T são programas de Estado e não programas de governo.  Independente de qual partido esteja no poder, esses programas devem continuar.

E. - E como o governo atual está tratando a questão da ciência?
H. N. - No primeiro ano de gestão, a presidente Dilma fez alguns cortes em ciência e tecnologia e nós questionamos. Agora, ela decretou que ciência e tecnologia são prioridades em seu governo. Tanto é que criou um projeto gigantesco, denominado Ciência sem Fronteiras para enviar estudantes de todos os níveis, do ensino médio, graduação, pós-graduação e pós-doutorado, para estudar no exterior. É um programa fantástico, mas infelizmente a mídia só ressalta o lado negativo. Todo projeto está sujeito a acertos e erros, mas, nesse caso o balanço para o lado positivo é muitas vezes maior do que o lado negativo. O projeto foi muito criticado por não englobar as ciências humanas e sociais, mas bolsas de estudos para essas áreas já existem. É um projeto com começo, meio e fim, feito para quatro anos. Neste ano atingirá 50 mil bolsas. Na SBPC fiz uma reunião trazendo estudantes de diferentes regiões do Brasil, que voltaram da graduação e da pós, em diferentes áreas. Foi fantástico, estava lotado, havia gente sentada no chão. É incrível ver os depoimentos desses jovens, principalmente os de graduação, que têm uma experiência bem diferente no exterior. A graduação brasileira é muito arcaica. O sistema de graduação não se atualizou, continuou o mesmo desde o século XIX. Não tem flexibilidade. Então, temos que nos posicionar dentro de um mundo que hoje é globalizado, e isso está acontecendo. Esses jovens vão chegar trazendo ideias para o país.

E. - Como a senhora avalia a produção científica da Unifesp atualmente e qual é seu impacto dentro e fora do país?
H. N. - A produção científica é muito boa. Recentemente foi lançado um livro intitulado A pós-graduação e a evolução da produção científica brasileira, que provém de uma tese de Elenara Almeida, sob a orientação de Jorge Almeida Guimarães (presidente da Capes). No levantamento efetuado, dois pesquisadores da instituição ocupam o primeiro e o segundo lugar no ranking de publicações científicas entre 2000 e 2009 no país. Então, nós estamos “muito bem na foto”, vamos dizer assim. Mas isso é porque temos uma tradição, e essa tradição não se pode perder. A Unifesp, que hoje tem praticamente todas as áreas do conhecimento, começou como uma escola de Medicina privada, mas desde sempre acreditou na ciência. Os professores José Leal Prado e José Ribeiro do Valle, faziam pesquisa no porão do Hospital São Paulo, no segundo subsolo. E aquilo foi contaminando o ambiente acadêmico. Então, o diferencial do estudante da Escola Paulista de Medicina era o envolvimento com a pesquisa. Depois, foi criada a universidade e outros programas de pós foram inaugurados. É óbvio que os programas mais recentes demoram um tempo para se firmar. Não se pode esperar programas com nota 7 nos campi que ainda não têm dez anos de existência. É paulatino. Mas foram contratados professores altamente qualificados para coordenar esses cursos. Essa foi outra matéria pela qual nós brigamos na SPBC, quando o governo propôs uma lei que tirava a obrigatoriedade do doutorado para ser docente de universidade federal. Nós aqui estamos contratando só pós-doutores. A ideia da lei ia na contramão, mas a SBPC reverteu isso. Nossa pós-graduação é muito boa. Alguns programas têm avaliação média, com notas 3 e 4, outros têm nota 5 e há os de excelência, com notas 6 e 7, atribuídas pela Capes. A ciência que é produzida na instituição é reconhecida internacionalmente.

E. - E a senhora acompanhou pessoalmente a história da pós-graduação na universidade...
H. N. - Sim, eu pertenci às primeiras turmas. O programa de pós começou em 1970, defendi o doutorado em dezembro de 1974. Quem criou esse programa foi meu esposo, já falecido, professor Dietrich. Ele criou a pós-graduação com todas as regras e, depois do programa de Biologia Molecular, nasceram os outros. Surgiram os de áreas clínicas, o de Microbiologia e Imunologia, entre outros. Mas o primeiro foi o de Biologia Molecular. E o primeiro doutor em Bioquímica foi Jorge Almeida Guimarães, que hoje é o presidente da Capes.

E. - Como está a participação das mulheres no setor da pesquisa? É uma participação expressiva? Aumentou nos últimos anos?
H. N. - As feministas não vão gostar muito. Por um lado, a participação das mulheres na universidade representa maioria absoluta, já ultrapassou a dos homens. Mesmo nas engenharias, elas também os estão alcançando. Porém, o que ainda não há é um número elevado de mulheres em posições de comando. Na universidade, inclusive, são as que menos desistem dos cursos. A evasão masculina é muito maior que a evasão feminina. Isso é um dado. Na pós-graduação, há muitas mulheres, mas nos cargos de comando e de chefia elas são minoria. Isso é uma situação que precisa ser revertida, mas leva tempo. Os índices brasileiros são melhores que os norte-americanos. Na Academia Brasileira de Ciências, a participação de mulheres está por volta dos 15%. Na instituição americana é de 9%. Mas ainda estamos aquém do ideal. Acho que as mulheres têm de ir à luta, porque ninguém irá trazer essa conquista numa bandeja. Acredito sinceramente que a adoção de cotas não seria bom. Sou a favor de ações afirmativas. Quando pró-reitora de graduação, criei o programa da Unifesp de ações afirmativas, para negros e índios, oriundos de escola pública. Era um programa incrível. Não sou contra as cotas, mas creio que para nós, mulheres, chegarmos aos cargos de chefia, não terá que ser por esse caminho. Temos que lutar e mudar esse paradigma.

E. - A senhora é a terceira mulher que ocupa a presidência da SBPC. Durante sua trajetória profissional, chegou a deparar-se com alguma situação na qual teve que lidar com o machismo?
Nader - Não senti essa discriminação. Agora, sou privilegiada pela família que tive, pela EPM, pelos meus professores, que sempre me colocaram que podia fazer o que quisesse, era só me dedicar a determinado objetivo. Talvez por isso não tenha sentido.

E. - Como foi citada a questão das cotas, gostaria de saber qual modelo a senhora avalia como ideal?
H. N. - Eu vejo da seguinte forma: o que foi implantado no Brasil, foi de cima para baixo, sem uma análise de todos os projetos que já estavam em andamento no país. Como se as universidades federais estivessem isoladas em um “castelinho”, não vendo o problema da inclusão pela renda e pela cor. Que há necessidade de garantir cotas pela questão da cor, não há dúvidas. O Brasil foi o último a libertar seus escravos e nunca admitiu isso. Mas destinar 50% das vagas a alunos específicos não é a resposta. Porque varia, depende muito do ambiente onde a universidade está inserida. Esperava que o governo tivesse acompanhado os projetos que estavam sendo avaliados. Houve resultados incríveis. Nós, aqui na Unifesp, não tivemos nenhum problema na implantação das ações afirmativas. E fomos a primeira em nível federal.

E. - Já que estamos falando de ações do governo, temos atualmente a questão do programa Mais Médicos que está causando uma polêmica na comunidade médica...
H. N. - Eu até já escrevi sobre isso – o texto foi publicado no Correio Braziliense. A SBPC já se posicionou contrária, porque passou por cima de todo um contingente de pessoas dedicadas ao estudo de como deve ser a graduação de Medicina. O tema não foi discutido. É um absurdo total. Porque existe a Associação Brasileira de Educação Médica, extremamente ativa, e o sindicato, que não foram consultados. Mas o mais sério é o fato de o Conselho Nacional de Educação, que é o responsável por pensar a graduação, também não ter sido consultado. Então temos um problema grande.

E. - Ainda com relação a questões polêmicas, há tempos existe o debate sobre certas tendências religiosas que visam impedir o ensino do evolucionismo e promover o ensino do criacionismo nas escolas. Qual é a sua posição?
H. N. - Não é polêmica, não. A SPBC tem uma posição bem clara a respeito. Religião é religião, e ciência é ciência. A ciência não vai interferir na religião, mas a religião não pode interferir na ciência. Cada indivíduo tem em seu foro íntimo, a religião ou a não religião que vai seguir. Agora, o que não pode ocorrer é a religião intervir no dado científico. Criacionismo, nós somos frontalmente contra. Com relação a isso, o Brasil é um país laico. Sendo um país laico, o ensino da religião teria que ser optativo, e deveriam ser oferecidas aulas para todas as religiões. Por que não entrariam, por exemplo, as religiões africanas? Não se pode privilegiar um grupo em detrimento do outro. Mas a religião tentar escrever a história da ciência, isso não é permitido. A religião existe de per si e depende de uma crença. A ciência não é fé, não é crença, são dados. Não dá para negar a evolução. Criacionismo não é aceito. Essa é uma posição muito clara.

Publicado em Edição 01