Sexta, 10 Novembro 2023 10:48

Consu/Unifesp aprova concessão de título doutor honoris causa a Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi

Indicado tem trajetória reconhecida pela preservação da cultura e saberes de matriz africana

Por Denis Dana

Tata Nkisi Katuvanjesi arquivopessoal portal
Taata Nkisi Katuvanjesi (foto: arquivo pessoal)

Foi aprovada por aclamação, na última reunião do Conselho Universitário da Universidade Federal de São Paulo (Consu/Unifesp), ocorrida em 8/11, a concessão do título honorífico de doutor honoris causa a Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno), dirigente tradicional do Terreiro de Candomblé Nzo Tumbansi e diretor do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu de Itapecerica da Serra (Ilabantu), entidade não governamental, de fortalecimento institucional e político dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.

O título é concedido a personalidades eminentes que tenham se destacado nas ciências, nas artes, na cultura, na educação e na defesa dos direitos humanos. Taata é líder comunitário, político e religioso, reconhecido nacional e internacionalmente como embaixador e guardião dos saberes africanos.

“Sua trajetória é marcada por lutas pelos direitos das populações de matriz africanas em nosso país, pela preservação da cultura e dos saberes Bantu no Brasil, na América Latina e Caribe. Taata trabalha muito na articulação entre lideranças políticas, religiosas e culturais do Brasil e por isso é chamado e reconhecido como embaixador, com contribuições inestimáveis na aproximação entre os saberes tradicionais de matriz africana e os saberes acadêmicos. Toda essa valiosa trajetória explica a proposição de seu nome para a concessão do título de Doutor honoris causa”, destaca Ana Maria do Espírito Santo Slapnik, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Unifesp, núcleo associado à Pró-Reitora de Extensão e Cultura (Proec/Unifesp), responsável pela indicação do nome de Taata.

Taata Katuvanjesi será o quarto doutor honoris causa da Unifesp. Integram a lista dos títulos honoríficos entregues pela universidade Davi KopenawaAmelinha Teles e Paulo Freire (in memoriam).

Sobre Taata Katuvanjesi

Nascido em 1963, em Barra do Rocha, na Bahia, Walmir Damasceno (Taata Katuvanjesi) apresenta em sua biografia uma vida dedicada à luta pelo reconhecimento, preservação e valorização das culturas de matriz africana e dos saberes tradicionais de origem bantu. Desde a juventude até o presente, atua na luta política na defesa da democracia, dos direitos humanos, da luta antirracista, com uma vida dedicada à afirmação, defesa e disseminação dos saberes tradicionais.

Como liderança política e religiosa, é dirigente da Comunidade Tradicional de Matriz Centro Africana de Terreiro de Candomblé Inzo Tumbansi, tem absorvido para o terreiro conhecimentos a respeito da história e da cultura Bantu, reintroduzindo um processo de reafricanização ou de revisão linguística e litúrgica com vistas a uma maior aproximação de suas raízes kongo-angola e tem atuado na consolidação e difusão das práticas associadas às tradições Bantu, no Brasil e em outros países da América Latina e África. Em 1985, instituiu o terreiro Ilabantu, associação civil, tradicional, filantrópica e assistencial, de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter sociocultural, cujo enfoque prioritário consiste em promover a manutenção, preservação e formação de agentes multiplicadores dos saberes e fazeres tradicionais das religiões de matriz africana, em especial a de origem Bantu. O Ilabantu tem por missão preservar as culturas tradicionais Bantu, com suas línguas, costumes, saberes e fazeres, modo de vida e a revalorizar os aportes culturais dos africanos e seus descendentes em toda a diáspora, especialmente no Brasil.

Na área acadêmica, cursou Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), concluindo essa formação em 1985. Trabalhou como colunista em vários jornais soteropolitanos, tais como Diário de Salvador, Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, A Tarde e Correio da Bahia. Mais tarde, completou outros dois cursos superiores, tornando-se também bacharel em Direito e licenciado em Letras. Atuou como jornalista e advogado na defesa dos direitos coletivos, a serviço dos povos de terreiro, em sua luta pelo direito de existir em uma sociedade assumidamente hostil às tradições de matriz africana.

Vale ressaltar que, em várias oportunidades, Taata Katuvanjesi tem compartilhado seu saber ancestral com estudantes e docentes dos diversos cursos da Unifesp, seja ministrando palestras, seja integrando mesas temáticas em eventos como a Semana da Consciência Negra, como docente no curso de extensão Doença e Conhecimento e na Unidade Curricular Encontro de Saberes, promovidos pelo Neab e pela Cátedra Kaapora, da qual é membro do Conselho Consultivo.

Lido 211 vezes Última modificação em Terça, 23 Abril 2024 14:35

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